terça-feira, 19 de janeiro de 2010

2012 NÃO É O FIM

ALCIONE - O SOL DO SOL


O sistema solar gira em torno de Alcione, estrela central da constelação de Plêiades.

O Sol é a oitava estrela da constelação que leva 26.000 anos para completar uma órbita (translação) ao redor de Alcione(Precessão de Equinócios)

Alcione tem à sua volta um gigantesco anel, ou disco de radiação, em posição transversal ao plano das órbitas de seus sistemas, chamado Cinturão de Fótons.

Um fóton consiste na decomposição ou divisão do elétron, sendo a mais ínfima partícula de energia eletromagnética.

Desde 1972, o Sistema Solar vem entrando no cinturão de fótons e em 1998 a sua metade já estraá dentro dele.

A Terra começou a penetrá-lo em 1987 e esta gradativamente avançando até 2012.

Um novo campo de percepção está disponível para aqueles que aprenderem a ver as coisas de uma outra forma.

Cada um de nós tem um trabalho individual para desenvolver aliado ao trabalho de conscientização da humanidade.

Ter boas intenções é essencial, assim como estar em sintonia com Deus.

É tempo de conhecer e seguir o Mestre Jesus, nosso modêlo enviado pelo Pai.

Paz, Amor e Luz Divina

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009


2010


Desejamos que seja um ano onde cada um de nós lute contra o orgulho e o egoísmo (dentro de si mesmo) para termos um mundo melhor.

domingo, 13 de dezembro de 2009

O NATAL DIFERENTE


Muito raro observar-se temperamento tão apaixonado, quanto o de Emiliano Jardim. No fundo, criatura generosa e sincera, mas as noções materialistas estragavam-lhe os pensamentos. Debalde cooperavam os amigos em renovar-lhe as idéias. O rapaz reportava-se a umas tantas teorias de negação, e a moléstia espiritual prosseguia do mesmo jeito. O casamento, realizado entre pompas familiares, em nada melhorara a situação; quando, porém, Emiliano experimentou a primeira dor da paternidade, ao ver o filho arrebatado pela morte, esse golpe profundo lhe abalou o espírito personalista.

Justamente por essa época, generoso padre meteu-lhe nas mãos um livro de consolação religiosa, à guisa de socorro.

Em semelhante fase do caminho, o contacto com os ensinamentos de Jesus lhe encheram a alma de serena doçura. Estava deslumbrado. Como não compreendera antes a beleza da fé? Fez-se católico, sob aplausos gerais. Os afeiçoados se entreolhavam satisfeitos.

Emiliano, contudo, embora seduzido pelas verdades luminosas do Mestre, trazia a sua lição através da vida, como lhe acontecera ao tempo dos antigos postulados negativistas. Acreditando servir ao ideal divino do Evangelho, terçava armas cruéis contra todos os que entendiam Jesus por prismas diferentes. Acusava os portestandes, malsinava os espíritas.

Os anos, porém, correram na sabedoria silenciosa do tempo.

Ralado pelas desilusões de todo homem que procura a felicidade longe da redenção de si mesmo, o nosso amigo, certo dia, passou-se de armas e bagagens para o Protestantismo. Entretanto, por mais que se esforçassem os companheiros, Emiliano não conseguia realizar a visão interna do Cristo, como Divino Amigo de cada instante, através de seus imerecíveis ensinamentos.

Tornou-se anti clerical violento e rude. Esquecera todos os bens que a Igreja Católica lhe proporcionara, para recordar apenas suas deficiências, visíveis na imperfeição da criatura. Alguns amigos mentos vigilantes o felicitavam pelo desassombro; todavia, os mais experimentados reconheciam que o novo crente mudara a expressão religiosa exterior, mas não entregara o coração ao Cristo.

Depois de longa luta, Emiliano sente-se insatisfeito e ingressa nos arraiais espiritistas.

Emiliano, qual sucede à maioria dos crentes, admite a verdade, mas não dispensa os benefícios imediatos; dedica-se a Jesus, anseia por vê-lo nos outros homens, antes de senti-lo em si próprio. Sua atividade geral transtorna-se. Enfrenta de armas na mão todos os companheiros antigos. Supõe que deve lavar a defesa da nova doutrina ao extremo. A bondade dos guias espirituais, que se comunicam nas reuniões, ele a toma por elogio às suas atitudes.

Como, porém, a justiça esclarecida é sempre um credor generoso, que somente reclama pagamento depois de observar o devedor em condições de resgatar os antigos débitos, Emiliano, na posse de numerosos conhecimentos e bafejado de tantas exortações divinas, penetrou no caminho do resgate das velhas dívidas. Tempos difíceis surgiram-lhe no horizonte individual. Enquanto se esforçava para remover alguns obstáculos, outras montanhas de dificuldades apareciam, inesperadamente. A moléstia, a escassez de recursos e a ironia dos ingratos visitaram-lhe a casa honesta. A princípio resignado e forte, acabou desesperando-se. Dizia-se abandonado pelos amigos espirituais e acusava os médiuns, cheios de obrigações sagradas, tão só porque não podiam permanecer em longas concentrações, para solucão dos casos pessoais. Sentia-se perseguido por maus Espíritos, e, na sua inconformação, magoava companheiros respeitáveis.

A dor, todavia, não interrompeu sua função purificadora. Depois de penosa enfermidade, sua velha genitora partiu para a vida espiritual em condições amargas. Não passou muito tempo e a sua esposa, perturbada nas faculdades mentais durante três anos, seguia o mesmo caminho. Em seguida, os dois filhos que criara, com excessos de carinho, se voltaram contra o coração paterno, com injustas acusações. Ao ensejo da calúnia, os últimos companheiros fugiram. O nosso amigo, outrora tão discutidor e tão violento, experimentou desânimo invencível. Nunca mais foi visto em rodas doutrinárias, nas tertúlias da inteligência; comumente era encontrado, como vagabundo vulgar, escondendo lágrimas furtivas.

Numa radiosa véspera de Natal, em que o ambiente festivo lhe falava da ventura destruída ao coração, Emiliano chorou mais que de costume e resolveu pôr termo à existência.

À noite, encaminhou-se para a praia, alimentando o sinistro desígnio. Antes, porém, de consumar o erro extremo, pensou naquele Jesus que restituíra a vista aos cegos, que curara os leprosos, que amara os pobres e os desvalidos. Tais lembranças lhe nevoaram os olhos de pranto doloroso, modificando-lhe as disposições mais íntimas.

Foi aí, nessa hora amargurada em que o mísero se dispunha a agravar as próprias angústias, que uma voz suave se fez ouvir no recôndito de seu espírito.

- Emiliano, há quanto tempo eu buscava encontrar-te; mas sempre me chamavas através dos outros, sem jamais procurar-me em ti mesmo! Dá-me a tua dor, reclina a cabeça cansada sobre o meu coração!... Muitas vezes, o meu poder opera na fraqueza humana. Raramente meus disípulos gozam o encontro divino, fora das câmaras do sofrimento. Quase sempre é necessário que percam tudo, a fim de me acharem em si mesmos.Tenho um santuário em cada coração da Terra; mas o homem enche esse templo divino de detritos, ou levanta muralhas de incompreensão entre o seu trabalho e a minha influência... Nessas circunstâncias, em vão me procuram...

Emiliano estava inebriado. Não ouvia propriamente uma voz idêntica à do mundo, mas experimentava o coração tomado por poderosa vibração , sentindo que as palavras lhe chegavam ao íntimo como aragem celestial.

- Volta ao esforço diário e não esqueças que estarei com os meus discípulos sinceros até o fim dos séculos! Acaso poderias admitir que permaneço em beatitude inerte, quando meus amigos se dilaceram pela vitória de minha causa? Não posso estacionar em vâs disputas, nem nas estéreis lamentações, porque necessitamos cuidar do amoroso esclarecimento das almas. É por isso que estou, mais frequentemente, onde estejam os corações quebrantados e os que já tenham compreendido a grandeza do espírito de serviço. Não te rebeles contra o sofrimento que purifica, aprende a deixas os bonecos a quantos ainda não puderam atravessar as fronteiras da infância. Não analises teu irmão, tambem eu sou criticado. Ainda não terminei minha obra derreste, Emiliano! Ajuda-me, compreendendo a grandeza do seu objetivo e etendendo a fragilidade dos teus irmãos. Dá o bem pelo mal, perdoa sempre! Volta ao teu esforço! Em qualquer posto de trabalho honesto poderás ouvir minha voz, desde que me procures no coração!...

Emiliano Jardim sentiu que as lágrimas agora eram de júbilo e reconhecimento.

Em breves instantes, experimentava radical transformação.

À sua frente via a imensidão do céu e a imensidade do oceano, sentindo-se como num mundo em que o Cristo houvera nascido. Recordou que não tinha senão escórias de misérias para ofertar a Jesus, e que seus sentimentos rudes simbolizavam aqueles animais que foram as primeiras visitas da manjedoura singela.

Deslumbrado, endereçou um pensamento de paz a todos os companheiros do pretérito e começou a compreender que cada um permanecia em sua posição de trabalho, na tarefa que o Senhor lhe designara. Poderosa vibração de amor ligava-o à Criação inteira. Não se torturava em racocínios. Compreendia e chorava de júbilo. Levantou-se, enxugou as lágrimas e retomou o caminho da cidade barulhenta.

O nosso amigo conhecia de longos anos o Salvador só agora encontrara o Mestre. Emiliano Jardim regressou, renovado, ao labor do Evangelho, depois do Natal diferente.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

OS ESPÍRITOS DA TERRA


Está cheio o vosso mundo de espíritos atrasados em sua evolução, encarnados e desencarnados, em cujas mentes ainda não se fixaram nitidamente as noções do dever em todos os seus prismas.

Admirai-vos, às vezes, os que vos acolheis sob a bandeira da paz da consoladora Doutrina dos Espíritos, da incompreensão que lavra no mundo e da teimosia de muitas consciências rebeldes à luz e refratárias à Verdade; a Terra está cheia de dores, oriundas dos abusos levados a efeito por elevado número dos seus habitantes que, aliás, constituem consideravel maioria.

Vós, porém, que estudais e vos sentis possuidos da aspiração de melhorar, procurai ponderar todas as questões que se vos apresentem, com acurada atenção, procurando resolver todos os problemas à luz de esclarecido entendimento.


ESPÍRITOS DA TERRA


A Terra está povoada, em quase todas as latitudes, de seres que se desenvolveram com ela própria e que se afinam perfeitamente às suas condições fluídicas.

Pequena percentagem de homens é constituida de elementos espirituais de outros orbes mais elevados que o vosso; daí, a enorme diferença de avanço moral entre os seres humanos e os abnegados apóstolos da luz que, em todos os tempos, tendem clarear-lhes as estradas do progresso. É comum conhecerem-se pessoas que nutrem perfeita adoração a todos os prazeres que o mundo lhes oferece. Por minuto de voluptuosidade, pela contemplação dos seus haveres efêmeros, por uma hora de contacto com as suas ilusões, jamais procurariam o conhecimento das verdades da eterna vida do espírito; procuram toda casta de gozos, evitam qualquer estudo ou meditação e se entregam, frenéticamente, ao bem-estar que a carne lhes oferta. Essas criaturas, invariavelmente, são espíritos estritamente terrenos, que não saem dos âmbitos da existência mesquinha do planeta; essa afirmação, porém, não implica, de modo geral, a origem desses seres em vosso próprio orbe, mas, sim, a verdade de que muitos deles, pelas suas condições psíquicas, merecem viver em sua superfície, como prova, expiação ou meio de progresso. Apegam-se com fervor a tudo quanto seja carnal e experimentam o pavor da morte, inseguros na sua fé e falhos de conhecimentos quanto à sua vida futura.


domingo, 25 de outubro de 2009

MARTE (Recebida em 1939)


Enquanto as empresas de turismo organizam na Terra os grandes cruzeiros intercontinentais, realizando um dos mais belos esforços de socialização do século XX, no mundo dos espíritos organizam-se caravanas de fraternidade, nos planos de intermúndio.

Na região do estômago, o previlégio pertence aos sujeitos felizes, bem fichados nos círculos bancários, mas, nos planos do coração, os livros do cheque são desnecessários

Novo Gullivwer da vida, mergulho a minha observação nos espetáculos assombrosos, experimentando, além das águas de Aqueronte(1), a mudança inegral de todas as perspectivas.

Encarcerado no ponto convencional de sua existência transitória, o homem terreste é aquela coruja incapaz de enfrentar a luz da montanha, em pleno dia, suportando apenas a sombra espessa e triste de sua noite. Como Ájax, filho de Oileu(2), contempla, às vezes, o tridente irado dos deuses, mas, embora a sua desesperação e seu orgulho, não vai além da ilha, onde a maré alta o atirou, nos caprichosos movimentos do oceano da Vida.

A Morte não é uma fonte miraculosa de virtude e de sabedoria. É, porém, uma asa luminosa de liberdade para os que pagaram os pesados tributos de dor e de esperança, nas esteiras do Tempo.

Enquanto os astrônomos europeus e americanos examinam, cuidadosamente, os seus telescópios, para a contemplação da paisagem de Marte, à distância de quase trinta e sete milhões de milhas, preparando as lentes poderosas de seus instrumentos de óptica, fomos felicitados com uma passagem gratuita ao nosso admiravel vizinho do Sistema Solar, cujo percurso, nas adjacências do orbe, vem empolgando igualmente os núcleos de seres invisíveis, localizados nas regiões mais próximas da Terra.

A descrição das viagens, desde o princípio deste século, é uma das modalidades mais interessantes da literatura mundial; todavia, o homem que vá do Rio de Janeiro a Tóquio, de avião, sem escalas de qualquer natureza, não poderá descrever o caminho, com os seus detalhes mais interessantes. Transmitirá aos seus leitores a emoção da imensidade, mas não conseguirá pintar uma nuvem. Fora de suas máquinas aéreas, poderia fornecer a impressão de uma águia, mas o turista do Espaço, para se fazer entendido pelos companheiros da carne teria de recorrer às figuras mais atrevidas do mundo mitológico.

É por isso que apelarei aqui para o véu de Ísis(3) ou para o dorso de Pégaso(4), cuja patada fez brotar a fonte de Hipocrene, no Hélicon das divindades.

Depois de alguns segundos, chegávamos ao termo de nosssa viagem veretiginosa.

Dentro da atmosfera marciana, experimentamos uma extraordinária sensação de leveza... Ao longe, divisei cidades fantásticas pela sua beleza inaudita, cujos edifícios, de algum modo, me recordavam a Torre Eiffel ou os mais ousados aranha-céus de Nova York. Máquinas possantes, como se fôssem sustidas por novos elementos semelhantes ao "Hélium", balouçavam-se, ao pé das nuvens, apresentando um vasto sentido de estabilidade e de harmonia, entre as forças aéreas.

Aos meus olhos, desenhavam-se panoramas que o meu Espírito imaginara apenas para os mundo ideais da mitologia grega, com os seus paraísos cariciosos.

Aturdido, interpelei o chefe da nossa caravana, que se condservava silencioso:

- "Se a Terra julga a influência de Marte como profundamente belicosa, como poderemos conciliar a definição dos astrólogos com os espetáculos que estamos presenciando?"

- "E porventura - respondeu-me o exelente mentor espiritual - chegaste a conhecer no planeta terreste um homem ou uma idéia, que retirasse a humanidade de sua rotina, sem sofrimento e sem guerra? Para o nosso mundo, Marte é um irmão mais velho e mais experimentado na vida. Sua atuação no campo magnético de nossas energias cósmicas visam a auxiliar os homens terrenos para que possam despir os seus envoltórios de separatividade e de egoísmo."

Mas, nesse instante, havíamos chegado a um belo cômoro atepetado de vedura florida.

Ante os meus olhos atônicos, rasgavam-se avenidas extensas e amplas, onde as consturções eram fundamente análogas às da Terra.

Tive então ensejo de contemplar os habitantes do nosso vizinho, cuja organização fisíca difere um tanto do arcabouço típico com que realizamos as nossas experiências terrestes. Notei, igualemente, que os homens de Marte não apresentam as expressões psicológicas de inquietação em que mergulham os nossos irmãos das grandes metrópoles terrenas. Uma aura de profunda tranquilidade os envolve.

É que, esclareceu o mentor que nos acompanhava, os marcianos já solucionaram os problemas do meio e já passaram pelas experimentações da vida animal, em suas fases mais grosseiras. Não conhecem os fenômenos da guerra e qualquer flagelo social seria, entre eles, um acontecimento inacreditável. Evolveram sem as expiações coletivas, amarguaradas e terríveis, com que são atormentados os povos insubmissos da Terra. As pátrias, ali, não recebem o tributo do sangue ou da morte de seus filhos, mas são departamentos econômicos e orgãos educativos, administrados por instituições justas e sábias.

Era tempo, contudo, de observarmos a cidade com as suas disposições interessantes.

O leitor não poderá dispensar o nome dessa cidade prodigiosa, e à falta de termos comparativos, chamemos-lhe Marciópolis.

Orientados pelo amigo que nos dirigia a singular excurção, atingimos extensa praça, onde se erguia um templo maravilhoso pela sua imponência, tocada de majestosa simplicidade, e onde, ao que fomos informados, se haviam runido todos os credos religiosos.

De uma de suas eminências, vimos o nosso Sol, bastante diferenciado, entornando na paisagem as tintas do crepúsculo.

A vegetação de Marte, educada em parques gigantescos, sofria grandes modificações, em comparação com a da tTerra. É de um colorido mais interessante e mais belo, apresentando uma expressão de tonalidade avermelhada em suas características gerais.

Na atmosfera, ao longe, vagavam nuvens imensas, levemente azuladas, que nos reclamaram a aatenção, explicando-nos o mentor da caravana fraterna que se tratava de espessas aglomerações de vapor dágua, criadas por máquinas poderosas da ciência marciana, a fim de que sejam supridas as deficiências do líquido nas regiões mais pobres e mais afastadas do largo sistema de canais, que ali coloca grandes ocianos polares em contínua comunicação, uns com os outros.

Tais providências, explica o Espírito superior e benevolente, destina-se a proteger a vida dos reinos mais fracos da natureza planetária, porque, em Marte, o problema da alimentação essencial, através das forças atmosféricas, já foi resolvido, sendo dispensável aos seus habitantes felizes a ingestão das víceras cadavéricas dos seus irmãos inferiores, como acontece na Terra, superlotada de frigoríficos e de matadouros.

Todavia, ao apagar das luzes diurnas, o grande templo de Marciópolis enchia-se de povo. Observei que a nossa presença espiritual não era percebida, daí podermos examinar a multidão, à vontade, em seus mínimos movimentos.

Todos os grandes centros deste planeta, esclareceu o nosso amigo e mentor espiritual, sentem-se incomodados pelas influências nocivas da Terra, o único orbe de aura infeliz, nas suas vizinhanças mais próximas, e, desde muitos anos, enviam mensagens ao globo terráqueo, através de ondas luminosas, as quais se confundem com os raios cósmicos, cuja presença, no mundo, é registrada pela generalidade dos aparelhos radiofônicos.

Ainda há pouco tempo, o Instituto de Tecnologia da Califórnia inaugurou um vasto período de experimentações, para averiguar a procedência dessas mensagens, misteriosas para o homem da Terra, antotasdas com mais violência pelos balões estratosféricos, conforme as demonstrações obridas pelo Dr. Robert Millikan, nas suas experiências científicas.

A palestra esclarecedora seguia o seu curso interessante, mas os movimentos na praça acentuavam-se, sobremaneira.

No horizonte, surgia uma grande estrela de luz avermelhada, enquanto os dois satélites marciáticos resplandeciam.
Todos os olhares fitavam o céu, ansiosamente.

Aquela estrela era a Terra.

Uma comissão de cientistas iniciou, da tribuna maior do santuário, uma vasta série de estudos sobre o nosso mundo distante. Aparelhos luminosos foram afixados, na praça pública, ao passo que presenciávamos a exibição de mapas quase irrepreensíveis dos nossos continentes e dos nossos mares. Teorias notáveis com respeito à situação espiritual do planeta terrestre foram expedidas, entendendo-se perfeitamente as idéias dois estudiosos que as expunham, através da linguagem universal do pensamento.

A Terra enviava-nos a sua claridade, em reflexos trêmulos e tristes. Observamos, então, que os marcianos haviam colocado em seu templo poderosos telescópios.

Enquanto os melhores aparelhos da América possuem um diâmetro de duzentas polegadas, com a possibilidade de aumentar a imagem de Marte doze mil vezes, a astronomia marciana pode contemplar e estudar a Terra, aumentando-lhe a imagem mais de cem mil vezes, chegando ao extremo de examinar as vibrações de ordem príquica, na sua atmosfera.

A nossa grande surpresa não parou aí, entre os mais avançados aspectos de evolução e de cultura.

Enquanto a luz avermelhada da Terra tocava a nossa visão espiritual, víamos que todas as multidões do templo se haviam aquietado, de leve... A Ciência unida à Fé apresentava um dos espetáculos mais belos para o nosso espírito.

Vimos, então, que ao influxo poderoso daquelas mentes irmanadas no mesmo nível evolutivo, pela sabedoria e pelo sentimento, formara-se sobre o santuário uma estrada liminosa, em cujos reflexos descera do Alto um mensageiro celeste.

Recebido com as intensas vobrações de júbilo divino e silencioso, a figura, quase angélica, começou a falar, depois de uma prece comovedora:

-"Irmãos, ainda é inútil toda a comunicação com a Terra rebelde e incompreensível! Debalde os astrônomos terrenos vos procuram ansiosos, nos abismos do Infinito!... Seus telescópios estão frios, suas máquinas, geladas. Faltam-lhes os ardores divinos da intuição sublime e pura, com as vibrações da fé que os levariam da ciência transitória à sabedoria imortal. Fatigados na impenitência que lhes caracteriza as atividades inquietas e angustiosas, os homens terrestes precisam de iluminação pelo amor, a fim de que afastem do círculo vicioso da destruição, na tecnocracia da guerra. Lá, os irmãos se devoram uns aos outros, com indiferença monstruosa! Os povos não se afirmam pelo trabalho ou pela cultura, mas pelas mais poderosas máquinas de morticínio e de arrasamento. Todos os progressos científicos são patrimônio do egoísmo utilitário ou elementos sinistros da ruína e da morte! Enquanto as árvores de Deus frondejam no caminho da Vida e do Tempo, cheias de frutos cariciosos, as criaturas terrenas consideram-se famintas de violência e de sangue. A ciência de seres como esses não poderia entender as vibrações mais elevadas do espírito! Os vícios de uma falsa cultura casam-se aos vícios das religiões convencionalistas, que estacionam em exterioridades nocivas ou se detêm nos fenômenos, sem cogitar das causas profundas, esquecendo-se o homem do templo divino do seu coração, onde as bençãos de Deus desejam florir e semear a vida eterna!... Tão singulares desequílibrios provocaram na personalidade terrestre um sentido bestial que lhe corrompe os mais preciosos centros de força e, sómente agora, cogitam as instituiçoes divinas da transição necessária, a fim de que a vida na Terra se efetive, com o sentido da verdadeira humanidade, ali conhecido tão sòmente na exposição teórica de alguns espíritos insulados!... Irmãos, contemplemos a Terra e peçamos ao Senhor do Universo que as modificações, precisas ao seu aperfeiçoamento, sejam menos dolorosas ao coração de suas coletividades! Oremos pelos nossos companheiros, iludidos nas expressões animais de uma vida inferior e em suas consciências, possibilitando as vibrações recíprocas de simpaatia e comunicação, entre os dois mundos!..."

A multidão ouvia-lhe a palavra, atenta e comovida, e nós lhe escutávamos a exortação profunda, como se foramos convocados , de longe, pela harmonia mágica da lira de Orfeu(5), quando o nosso mentor espiritual nos acorda, do êxtase, a nos ater levemente nos ombros, chamando-nos ao regresso.

Em todos os lugares, há os que mandam, e vivem os que obedecem. Na categoria dos últimos, voltamos às esferas espirituais da Terra, como o homem ignorante que fizesse um voo, sem escalas, atraés do mundo, confundido e deslumbrado, embora não lhe seja possível definir o mais leve traço de seu espantoso caminho.



1 - Aqueronte - Nome de um dos quatro rios do Inferno, por onde as almas passavam sem esperança de regressar, e de curso tão impetuoso que arrastava, qual se fôssem grãos de areia, grandes blocas de rochedos.


2 - Ájax - filho de Oileu, rei dos Lócrios(Grécia) - era um príncipe intrépido, mas brutal e cruel.

Equipou quarenta navios para a guerra de Tróia. Tomada esta, ele ultrajou uma profetisa de classe, que se refugiara no templo, motivo por que os deuses fizeram submergir sua esquadra.

Salvo do naufrágio, agarrou-se a um rochedo dizendo, com arrogância: Escapei, apesar da cólera dos deuses!

Irritados com seu desmesurado orgulho, os deuses o aniquilaram, ali mesmo.


3 - Ísis - Uma das principais divindades egípcias. Tendo reinado durante muito tempo, foi depois morta, elevada à categoria de deusa (a canonização dos tempos subsequentes), e em sua honra o culto celebravam-se ritos, chamados - Mistérios de Ísis. Na forma comum, é representada (à imagem das santas) sob a figura de uma jovem mulher, sentada, amamentando um dos filhos, Hórus, tendo sobre a testa duas pontas ou um globo lunar.


4 - Pégaso - Cavalo alado que tem destacados feitos na mitologia grega.Nele iam os poetas em visita ao monte da inspiração. Ainda hoje, em tropo literário se diz que, em busca de imagianção, os poetas cavalgam o Pégaso. Nesse monte, chamado Hélicon, Pégaso, com uma patada, fez surgir a fonte da água inspiradora, denominada Hipocrene, isto é - fonte do cavalo.

5- Orfeu - Músico magico da mitologia. Seus acordes encantavam, e atraíam as próprias feras. Tendo sua esposa Eurídice sido picada e morta por uma sepente, no dia nupcial, ele foi ao Inferno onde obteve, pela sedução de sua lira, que divindades dali lhe ressuscitassem a consorte, com a condição, porém, de não olh ar para trás, antes de deixar os limites do Inferno, cláusula que Orfeu infringiu. Essa lenda serviu de enredo à conhecida ópera de Gluck - Orfeu.

Se procuras ensejo para realizar-te,
em matéria de paz e felicidade, age e serve sempre.

Emmanuel