quarta-feira, 24 de junho de 2009

A TERRA - OBSCURO PLANETA DE EXÍLIO E DE SOMBRA - VISTA DO ALÉM

Após adaptar-me mais ou menos a essa nova vida, ocorreu-me como vos poderia rever e solicitei de um instrutor informações a respeito.
- Sabes em que direção está a Terra? - perguntou ele com bondade.
Diante da minha natural ignorância, apontou-me com a destra um ponto obscuro que se perdia na imensidade, recomendando fitá-lo atentamente. Afigurou-se-me vê-lo crescer dentro de um turbilhão de sirocos indescritíveis. Parecia-me contemplar a impetuosidade de um furacão a envolver grande massa compacta de cinzas enegrecidas.
Tomada de inusitado receio, desviei o olhar; porém, o meu solícito guia, exclamou com brandura:
- Lá está a Terra com seus contrastes destruidores; os ventos da iniquidade varrem-na de pólo a pólo, entre brados angustiosos dos seres que se debatem na aflição e no morticínio. O que viste é o efeito das vibrações antagônicas, emitidas pela humanidade atormentada nas calamidades da guerra. Lá alimentam-se as almas com a substância amargosa das dores e sobre a sua superfície a vida é o direito do mais forte. Triste existência a dessas criaturas que se trucidam mutuamente para viver.
São comuns, ali, as chacinas, a fome, a epidemia, a viuvez, a orfandade que aqui não conhecemos... Obscuro planeta de exílio e de sombra! Entretanto, no universo, poucos lugares abrigarão tanto orgulho e tanto egoísmo! Por tal motivo é que esse mundo necessita de golpes violentos e rudes.
Busca ver naquelas regiões ensanguentadas o local em que estiveste. Pensa nos que lá deixaste cheios de amargurosa saudade! Deus permite e eu te auxilio.

domingo, 21 de junho de 2009


Sem amor no coração, toda
tentativa de entendimento entre as
criaturas é utopia.

segunda-feira, 15 de junho de 2009


TRABALHOS DE SÁBADO: 19hs - Estudo Livro Céu e Inferno

20hs - Palestra

Após Irradiação e passe

domingo, 14 de junho de 2009

TEMOS JESUS
Desaba o Velho Mundo em treva densa
A guerra, como lobo carniceiro,
Ameaça a verdade e humilha a crença,
Nas torturas de um novo cativeiro.
Mas vós, no turbilhão da sombra imensa,
Tendes convosco o Excelso Companheiro,
Que ama o trabalho e esquece a recompensa
No serviço do bem ao mundo inteiro.
Eis que a Terra tem crimes e tiranos,
Ambições, desvarios, desenganos,
Asperezas dos homens da caverna;
Mas vós tendes Jesus em cada dia.
Trabalhemos na dor ou na alegria,
Na conquista de luz da Vida Eterna.
(Abel Gomes-Parnaso de Al-em Túmulo)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Uma história chinesa

Uma história chinesa mostra a transformação radical que ocorre na alma humana ao exercitar o amor pelo outro, manifestado sob a forma de carinho, cuidado e atenção, o húmus fértil onde pode nascer aquele que é o mais precioso dos sentimentos: – "A pequena Sun Tui, esposa do filho de um mercador, tinha como sogra uma megera, que deixava todas as tarefas da casa para Sun Tui fazer. Era um tal de "Sun Tui, faz minhas tranças "para cá, "Sun Tui ", dê de comer aos porcos " para lá, um inferno para a jovem que era ainda quase uma criança. Sun Tui não tinha nem um minuto de descanso e odiava a sogra.

Desesperada, um dia ela foi ao mestre herborista da vila implorar um veneno para colocar no chá da sogra. Contou, chorando, toda a triste história de suas desgraças, e o especialista em ervas decidiu ajudá-la. "Vou lhe dar um veneno potentíssimo, de ação lenta e segura " , disse ele. " Mas é preciso dá-lo aos pouquinhos , todos os dias . Assim ninguém suspeitará de você nem de mim quando sua sogra morrer . Nesse período , para evitar suspeitas , você deve fingir tratar sua sogra com todo carinho , satisfazendo seus caprichos com alegria, cuidando dela com amor e tolerância", continuou o herborista. "Só assim poderei ajudá-la ", concluiu.

Sun Tui aceitou imediatamente as condições e desdobrou-se em cuidados. Antecipava os desejos da megera, trazia flores e mimos para arrancar seus sorrisos , caprichava nos bolos e doces que servia no lanche da tarde. A casa vivia brilhando e ela não reclamava mais ao marido. Mas não se esquecia de colocar o veneno no chá da sogrinha toda noite.

Acontece que, com as novas atitudes da nora, a megera amoleceu . Num dia pediu para Sun Tui sentar e descansar aos seus pés, enquanto lhe contava uma história. No outro, separava um lindo corte de brocado para a jovem fazer um vestido. Ou então presenteava-a com pulseiras e anéis de jade, para que pudesse ficar mais bonita. Quem as visse, pensaria que eram mãe e filha.

Sun Tui também começou a abrandar. O carinho, o cuidado e a preocupação com a sogra passaram a ser reais. E certo dia, arrependida por ter tido vontade de matar sua antiga inimiga, voltou desesperada ao herborista – dessa vez para implorar por um antídoto.

O mestre escutou pacientemente as lamúrias de Sun Tui. Pediu o veneno de volta e ela, obediente, entregou o pacotinho. Diante dos olhos arregalados da menina, o herborista despejou o conteúdo de uma só vez no chá e o tomou. Sorrindo. O velho herborista, que conhecia a alma humana, tinha usado de um artifício para despertar o coração da menina. Nunca houve veneno e nem era preciso o antídoto. Sun Tui tinha aprendido a amar".

Amar é assim, mais que um sentimento platônico é uma forma de conduta; e a conduta reiterada gera o "nosso jeito de ser" perceptível pelo outro. Amar é verbo e verbo é ação:

-É acarinhar, é cuidar, é tolerar, é atender ao outro, é dedicar-se ao outro de uma forma tão constante que o outro passa a confiar nessa relação sem medo de ser ferido em seus sentimentos. Quem ama pratica os verbos do amor sem esperar retribuição. Ama.

Simplesmente ama.

Fonte: Vida Simples – Editora Abril

terça-feira, 10 de março de 2009

Ensinamentos e Dissertações

Revista Espírita, fevereiro de 1862

(Bordeaux, Médium, senhora Cazemajoux.)

A fé.

Eu sou a irmã mais velha da Esperança e da Caridade, chamo-me a Fé.

Sou grande e forte; aquele que me possui não teme nem o ferro e nem o fogo: é a prova
de todos os sofrimentos físicos e morais. Irradio sobre vós com um faixo cujos jatos
faiscantes se refletem no fundo dos vossos corações, e vos comunica a força e a vida. Dizse
entre vós que ergo as montanhas, e eu vos digo: venho erguer o mundo, porque o
Espiritismo é a alavanca que deve me ajudar. Uni-vos, pois, a mim, eu sou a Fé.

Eu sou a Fé! Habito, com a Esperança, a Caridade e o Amor, o mundo dos puros Espíritos;
freqüentemente, deixei as regiões etéreas, e vim sobre a Terra para vos regenerar, dandovos
a vida do Espírito; mas, à parte os mártires dos primeiros tempos do Cristianismo, e
alguns fervorosos sacrifícios, de longe em longe, ao progresso da ciência, das letras, da
indústria e da liberdade, não encontrei, entre os homens, senão indiferença e frieza, e
retomei tristemente meu vôo para os céus; vós me crieis em vosso meio, mas vos
enganastes, porque a Fé sem as obras é uma aparência de Fé; a verdadeira Fé é a vida e a
ação.

Antes da revelação do Espiritismo, a vida era estéril, era uma árvore seca pelos estrondos
do raio que não produzia nenhum fruto. Não se me reconhecia pelos meus atos: eu ilumino
as inteligências, aqueço e fortaleço os corações; expulso para longe de vós as influências
enganadoras e vos conduzo a Deus pela perfeição do espírito e do coração. Vinde vos
alinhar sob minha bandeira, sou poderosa e forte: eu sou a Fé.

Eu sou a Fé, e o meu reino começa entre os homens; reino pacífico que vai torná-los felizes
para o tempo presente e para a eternidade. A aurora de meu advento entre vós é pura e
serena; seu sol será resplandescente, e seu deitar virá docemente embalar a Humanidade
nos braços das felicidades eternas. Espiritismo! Derrama sobre os homens o teu batismo
regenerador; faço-lhes um apelo supremo: eu sou a Fé.

GEORGES, Bispo de Périgueux.

A Esperança.

Eu me chamo a Esperança; sorrio à vossa entrada na vida; eu vos sigo passo a passo, e
não vos deixo senão nos mundos onde se realizam, para vós, as promessas de felicidade
que ouvis, sem cessar, murmurar aos vossos ouvidos. Eu sou vossa fiel amiga; não repilais
minhas inspirações: eu sou a Esperança.

Sou eu que canto pela voz do rouxinol e que lança aos ecos das florestas essa notas
lamentosas e cadenciadas que vos fazem sonhar com os céus: sou eu quem inspira à
andorinha o desejo de aquecer seus amores ao abrigo de vossas moradas; eu brinco na
brisa leve que acaricia os vossos cabelos; eu derramo aos vossos pés os perfumes suaves
das flores de vossos canteiros, e é com dificuldade que dais um pensamento a esta amiga
que vos é tão devotada! Não a repilais: é a Esperança.

Eu tomo todas as formas para me aproximar de vós: eu sou a estrela que brilha no azul, o
quente raio de sol que vos vivifica; embalo vossas noites de sonhos ridentes; expulso para
longe de vós a negra inquietação e os pensamentos sombrios; guio vossos passos para o
caminho da virtude; acompanho-vos em vossas visitas aos pobres, aos aflitos, aos
moribundos e vos inspiro as palavras afetuosas que consolam; não me repilais: eu sou a
Esperança.

Eu sou a Esperança! sou eu que, no inverno, faço crescer sobre a crosta dos carvalhos os
musgos espessos dos quais os pequenos pássaros constróem seu ninho; sou eu que, na
primavera, corôo a macieira e a amendoeira de suas flores brancas e rosas, e as derramo
sobre a terra como uma juncada celeste que faz aspirar aos mundos felizes; estou
sobretudo convosco quando sois pobres e sofredores; minha voz ressoa, sem cessar, em
vossos ouvidos; não me repilais: eu sou a Esperança.

Não me repilais, porque o anjo do desespero me faz uma guerra obstinada e se esgota em
vãos esforços para me substituir junto de vós; não sou sempre a mais forte e, quando ele
chega a me afastar, vos envolve com suas asas fúnebres, desvia os vossos pensamentos de
Deus e vos conduz ao suicídio; uni-vos a mim para afastar sua funesta influência e deixaivos
embalar docemente em meus braços, porque eu sou a Esperança.

FELICIA. Filha do médium.

A Caridade

Eu sou a Caridade; sim, a verdadeira Caridade; não me pareço em nada com a caridade da
qual seguis as práticas. Aquela que usurpou meu nome, entre vós, é fantasiosa, caprichosa,
exclusiva, orgulhosa, e venho vos premunir contra os defeitos que delustram, aos olhos de
Deus, o mérito e o brilho de suas boas ações. Sede dóceis às lições que o Espírito de
Verdade vos faz dar por minha voz; segui-me, meus fiéis: eu sou a Caridade.

Segui-me; conheço todos os infortúnios, todas as dores, todos os sofrimentos, todas as
aflições que assediam a Humanidade. Eu sou a mãe dos órfãos, a filha dos velhos, a
protetora e o sustento das viuvas; eu trato das feridas infectas; eu cuido de todas as
enfermidades; eu dou as vestes, o pão e um abrigo àqueles que não os têm. Eu subo aos
mais miseráveis sótãos, na humilde choupana; bato à porta dos ricos e dos poderosos,
porque, por toda a parte onde vive uma criatura humana, há sob a máscara da felicidade
amargas e cruciantes dores. Oh! Quanto minha tarefa é grande! Não posso bastar para
cumpri-la se não vierdes em minha ajuda; vinde a mim: eu sou a Caridade.

Eu não tenho preferência por ninguém; não digo jamais àqueles que têm necessidade de mim: 'Tenho meus pobres, dirigi-vos para outra parte". Oh! Falsa caridade, quanto mal
fazes! Amigos, nos devemos a todos; crede-me! não recuseis vossa assistência a ninguém;
socorrei-vos uns aos outros com bastante desinteresse para não exigir nenhum
reconhecimento da parte daqueles que tiverdes socorrido. A paz do coração e da
consciência é a doce recompensa de minhas obras: eu sou a verdadeira Caridade.
Ninguém conhece, sobre a Terra, o número e a natureza de meus benefícios; só a falsa
caridade fere e humilha aquele que ela alivia. Guardai-vos desse funesto desvio; as ações
desse gênero não têm nenhum mérito junto a Deus, e atraem sobre vós sua cólera. Só ele
deve saber e conhecer os impulsos generosos de vossos corações, quando vos fazeis os
dispensadores de seus benefícios. Guardai-vos, pois, amigos, de dar publicidade à prática
da assistência mútua. Não mais lhe deis o nome de esmola; crede em mim: Eu sou a
Caridade.

Tenho tantos infortúnios a aliviar que, freqüentemente, tenho os seios e as mãos vazias;
venho vos dizer que espero em vós. O Espiritismo tem por divisa: Amor e Caridade, e todos
os verdadeiros espíritas virão, no futuro, se ajustar a este sublime preceito pregado pelo
Cristo, há dezoito séculos. Segui-me, pois, irmãos, e vos conduzirei no reino de Deus, nosso
Pai. Eu sou a Caridade.

ADOLPHE, Bispo de Argélia.

Instruções dadas pelos nossos guias a
respeito das três comunicações acima.

Meus caros amigos, devestes crer que era um de nós que vos havia dado esses
ensinamentos sobre a fé, a esperança e a caridade, e teríeis razão. Felizes de ver Espíritos
superiores vos dar, tão amiúde, conselhos que devem vos guiar em vossos trabalhos
espirituais, nós com isso não sentimos menos uma alegria doce e pura quando vimos ajudálos
na tarefa de vosso apostolado espírita.

Podeis, pois, atribuir ao Espírito do Sr. Georges, a comunicação da Fé; a da Esperança à
Félicia: nela encontrareis o estilo poético que tinha durante a sua vida; a da Caridade ao Sr.
Dupuch, bispo da Argélia, que foi, sobre a Terra, um de seus fervorosos apóstolos.

Temos ainda que vos fazer tratar a caridade de um outro ponto de vista; nós o faremos em
alguns dias.

VOSSOS GUIAS.

Esquecimento das injúrias

(Sociedade Espírita de Paris. - Médium, senhora Costel.)

Minha filha, o esquecimento das injúrias é a perfeição da alma, como perdão das ofensas
feitos à vaidade é a perfeição do Espírito. Foi mais fácil a Jesus perdoar os ultrajes de sua
Paixão quanto não é fácil, ao último dentre vós, perdoar uma leve zombaria. A grande alma
do Salvador, habituada à doçura, não concebia nem a amargura nem a vingança; os nossos, obtendo o que é pequeno, esquecem o que é grande. Cada dia os homens imploram
o perdão de Deus que desce sobre eles como benfazejo orvalho; mas seus corações
esquecem essa palavra, sem cessar repetida na prece. Eu vos digo, em verdade, o fel
interior corrompe a alma; é a pedra pesada que a fixa ao solo e retém a sua elevação.

Quando sois censurados, reentrai em vós mesmos; examinai vosso pecado interior: aquele
que o mundo ignora; medi a sua profundidade, e curai vossa vaidade pelo conhecimento de
vossa miséria. Se, mais grave, a ofensa alcança o coração, lamentai o infeliz que a comete,
como lamentais o ferido cuja ferida aberta deixa correr o sangue: a piedade é devida àquele
que aniquila seu ser futuro. Jesus, no jardim das Oliveiras, conheceu a dor humana, mas
ignorou sempre as asperezas do orgulho e as mesquinharias da vaidade; encarnou-se para
mostrar aos homens o tipo da beleza moral que deveria lhe servir de modelo: dela não vos
afasteis nunca. Modelai vossas almas como a cera mole, e fazei com que vossa argila
transformada torne-se um mármore imperecível que Deus, o grande escultor, possa
assinar.

LÁZARO.

Sobre os instintos

(Sociedade Espírita de Paris. - Médium, senhora Costel).

Eu te ensinarei o verdadeiro conhecimento do bem e do mal que o Espírito confunde tão
freqüentemente. O mal é a revolta dos instintos contra a consciência, esse tato interior e
delicado que é o toque moral. Quais são os limites que os separam do bem que costeia por
toda a parte? O mal não é complexo: ele é um, e emana do ser primitivo que quer a
satisfação do instinto às expensas do dever. O instinto, primitivamente destinado a
desenvolver no homem animal o cuidado de sua conservação e de seu bem-estar, é a única
origem do mal; porque, persistindo mais violento e mais áspero em certas naturezas,
impele-os a se apoderar do que desejam ou a concentrar o que possuem. O instinto, que os
animais seguem cegamente, e que lhes é a própria virtude, deve ser, sem cessar,
combatido pelo homem que quer se elevar e substituir o grosseiro instrumento da
necessidade pelas armas finamente cinzeladas da inteligência. Mas, pense, o instinto não é
sempre mal, e, freqüentemente, a Humanidade lhe deve sublimes inspirações, por exemplo,
na maternidade e em certos atos de devotamento, onde substitui, segura e prontamente, a
reflexão.

Minha filha, tua objeção é precisamente a causa do erro, na qual caem os homens prontos a
menosprezarem a verdade sempre absoluta em suas conseqüências. Quaisquer que possam
ser os bons resultados de uma causa má, os exemplos não devem nunca fazer concluir
contra as premissas estabelecidas pela razão. O instinto é mau, porque é puramente
humano e a Humanidade não deve pensar que se deve despojar, ela mesma, deixar a carne
para se elevar ao Espírito; e se o mal costeia o bem, é porque seu princípio,
freqüentemente, tem resultados opostos a si mesmo que o fazem menosprezar pelo homem
leviano e levado pela sensação. Nada de verdadeiramente bem pode emanar do instinto:
um sublime impulso não é mais o devotamento do que uma inspiração isolada não é o
gênio. O verdadeiro progresso da Humanidade é a sua luta e seu triunfo contra a própria
essência de seu ser. Jesus foi enviado sobre a Terra para prová-la humanamente. Pôs a
descoberto, bela fonte enterrada na areia da ignorância. Não perturbeis a limpidez da divina
bebida com os compostos do erro. E, crede-o, os homens que não são bons e devotados
senão instintivamente, o são mal; porque sofrem uma cega dominação que pode, de
repente, precipitá-los no abismo.

LÁZARO.

Nota. Apesar de todo o nosso respeito pelo Espírito de Lázaro, que nos tem dado, tão
freqüentemente, belas e boas coisas, nos permitimos não ser de sua opinião sobre estas
últimas proposições. Pode-se dizer que há duas espécies de instintos: o instinto animal e o
instinto moral. O primeiro, como o diz muito bem Lázaro, é orgânico; é dado aos seres
vivos para a sua conservação e a de sua prole; é cego, e quase inconsciente, porque a
Providência quis dar um contrapeso à sua indiferença e à sua negligência. Não ocorre o
mesmo com o instinto moral que é o privilégio do homem; pode-se defini-lo assim:
Propensão inata para fazer o bem ou o mal; ora, essa propensão prende-se ao estado de
adiantamento, maior ou menor, do Espírito. O homem cujo Espírito já está depurado, faz o
bem sem premeditação e como uma coisa muito natural, e é por isso que se admira sendo
louvado. Não é, pois, justo dizer que "os homens que não são bons e devotados senão
instintivamente, o são mal, e sofrem uma cega dominação que pode, de repente, precipitálos
no abismo". Aqueles que são bons e devotados instintivamente denotam um progresso
realizado; aqueles que o são com intenção, o progresso está em vias de se cumprir, é
porque há trabalho, luta, entre dois sentimentos; no primeiro a dificuldade está vencida; no
segundo, é preciso vencê-la; o primeiro é como o homem que sabe ler e lê sem dificuldade,
e quase sem disso desconfiar; o segundo é como aquele que soletra. Um, por ter chegado
mais cedo, tem, pois, menos mérito do que o outro?

domingo, 8 de março de 2009

Controle do ensinamento espírita

Revista Espírita, janeiro de 1862

A organização que propusemos para a formação dos grupos espíritas tem por objetivo
preparar os caminhos que devem facilitar, entre eles, relações mútuas. Ao número de
vantagens que devem resultar dessas relações, é preciso colocar, em primeira linha, a
unidade da Doutrina, que lhe será a conseqüência natural. Essa unidade já está feita em
grande parte, e as bases fundamentais do Espiritismo hoje estão admitidas pela imensa
maioria dos adeptos; mas ainda há questões duvidosas, seja que não hajam sido
resolvidas, seja que hajam sido em sentido diferente pelos homens, e mesmo pelos
Espíritos.

Se os sistemas, algumas vezes, são o produto de cérebros humanos, sabe-se que certos
Espíritos não estão atrás nesse assunto; com efeito, vê-se que excitam com um
maravilhoso jeito, encadeiam com muita arte, idéias freqüentemente absurdas, e delas
fazem um conjunto mais engenhoso do que sólido, mas que poderia falsear a opinião de
pessoas que não se dão ao trabalho de aprofundar, ou que são incapazes de fazê-lo pela
insuficiência dos seus conhecimentos. Sem dúvida, as idéias falsas acabam por cair diante
da experiência e da inflexível lógica; mas, à espera disso, podem lançar a incerteza. Sabese
também que, segundo sua elevação, os Espíritos podem ter, sobre certos pontos, uma
maneira de ver mais ou menos justa; que as assinaturas que as comunicações levam nem
sempre são uma garantia de autenticidade, e que os Espíritos orgulhosos procuram, às
vezes, fazer passar utopias ao abrigo dos nomes respeitáveis com os quais se enfeitam.
Sem contradita, é uma das principais dificuldades da ciência prática, e contra a qual muitos
se chocaram.

O melhor critério, em caso de divergência, é a conformidade do ensino pelos diferentes
Espíritos, e transmitidos por médiuns completamente estranhos uns aos outros. Quando o
mesmo princípio for proclamado ou condenado pela maioria, será necessário render-se à
evidência. Se é um meio de se chegar à verdade, seguramente, é pela concordância tanto
quanto pela racionalidade das comunicações, ajudadas pelos meios que temos para
constatar a superioridade ou a inferioridade dos Espíritos; cessando a opinião de ser
individual, por tornar-se coletiva, adquire um grau de mais autenticidade, uma vez que não
pode ser considerada como o resultado de uma influência pessoal ou local. Aqueles que
ainda estão incertos, terão uma base para fixar suas idéias, porque seria irracional pensar
que, aquele que está só, ou quase, em sua opinião, tem razão contra todos.

O que contribui sobretudo para o crédito da doutrina de O Livro dos Espíritos, é
precisamente porque, sendo o produto de um trabalho semelhante, acha ecos por toda a
parte; como dissemos, não é o produto de um único Espírito, que pudera ter sido
sistemático, nem de um único médium que pudera ter abusado, mas, ao contrário, o de um
ensinamento coletivo por uma grande diversidade de Espíritos e de médiuns, e que os
princípios que ele encerra são confirmados em quase toda parte.

Dissemos mais ou menos, tendo em vista que, pela razão que explicamos acima,
encontram-se Espíritos que procuram fazer prevalecer suas idéias pessoais. É, pois, útil
submeter as idéias divergentes ao controle que propusemos; se a doutrina, ou algumas das
doutrinas, que professamos, forem reconhecidas errôneas por uma voz unânime, submerternos-emos sem murmurar, felicitando-nos haja sido encontrada por outros; mas se, ao
contrário, elas são confirmadas, permitir-nos-á crer que estamos com a verdade.
A Sociedade Espírita de Paris, compreendendo toda a importância de semelhante trabalho,
e tendo primeiro que esclarecer a si mesma, e em seguida provar que não entende, de
nenhum modo, se pôr como árbitro absoluto das doutrinas que ela professa, submeterá,
aos diferentes grupos que se correspondem com ela, as perguntas que acreditar mais úteis
à propagação da verdade. Essas perguntas serão transmitidas, segundo as circunstâncias,
seja por correspondência particular, seja por intermédio da Revista Espírita. Concebe-se
que, para ela, e em razão da maneira séria com a qual encara o Espiritismo, a autoridade
das comunicações depende das condições nas quais se acham colocadas as reuniões,
segundo o caráter dos membros e dos objetivos a que ela se propõe; emanando as
comunicações de grupos formados sobre as bases indicadas pelo nosso artigo sobre a
organização do Espiritismo, terão tanto mais peso, aos seus olhos, quanto esses grupos
estiverem em melhores condições. Submetemos aos nossos correspondentes as questões
seguintes, à espera daquelas que lhes remeteremos ulteriormente.

Allan Kardec

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Marcha gradual do Espiritismo. Dissidências e entraves

 
27 DE ABRIL DE 1866
 
(Paris, em casa do sr. Leymarie, méd. sr. L...)
 
Caros condiscípulos, o que é verdadeiro deve ser; nada pode se opor à irradiação de uma verdade; às vezes, pode-se velá-la, torturá-la, fazer nela o que fazem os teredos nos diques holandeses; mas uma verdade não é edificada sobre estaca: ela corta o espaço; está no ar ambiente, e se pôde deslumbrar uma geração, há sempre encarnações novas, de recrutamentos da erraticidade que vêm trazer germes
fecundos, outros elementos, e que sabem atrair para eles todas as grandes coisas desconhecidas.
 
Não vos apresseis muito, amigos; muitos dentre vós gostariam de ir a vapor, e nesse tempo de eletricidade, correr como ela. Esqueceis as leis da Natureza, gostaríeis de ir mais depressa do que o tempo. Refleti, no entanto, o quanto Deus é sábio em tudo. Os elementos que constituem o vosso planeta sofreram uma longa e laboriosa criação; antes que pudésseis existir, foi necessário que tudo se constituísse segundo a aptidão de vossos órgãos. A matéria, os minerais, fundidos e refundidos, os gases, os vegetais, pouco a pouco
harmonizados e condensados, a fim de permitir a vossa eclosão sobre a Terra. É a eterna lei do trabalho que não cessou de reger os seres inorgânicos, como os seres inteligentes.
 
O Espiritismo não pode escapar a essa lei, à lei da criação.
 
Implantado sobre um solo ingrato, é preciso que haja suas más ervas, seus maus frutos. Mas também, cada dia se roçam, se arrancam, se cortam os maus ramos; o terreno se surriba insensivelmente, e quando o viajor, fatigado das lutas da vida, encontrar a abundância e a paz à sombra de um fresco oásis, virá estancar a sua sede, enxugar seus suores, nesse reino lenta e sabiamente preparado; ali o rei é Deus, esse dispensador generoso, esse igualitário judicioso, que sabe bem que o trajeto a seguir é doloroso, mas fecundo; penoso, mas necessário; o Espírito formado na escola do trabalho, dela sai mais forte e mais apto para as grandes coisas. Aos desfalecidos ele diz: coragem; e como esperança suprema, deixa entrever, mesmo aos mais ingratos, um ponto de atraso, ponto salutar, caminho demarcado pelas reencarnações.
 
Ride das vãs declamações: deixai falar os dissidentes, berrar aqueles que não podem se consolar por não serem os primeiros; todo esse pequeno ruído não impedirá o Espiritismo de fazer invariavelmente o seu caminho; é uma verdade, e, como um rio, toda verdade deve seguir o seu curso.
 
Obras Póstumas, Allan Kardec

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

As Conversas familiares

       Você já pensou, em algum momento, gravar as conversas familiares? Tem idéia a respeito do que se fala, no lar, às refeições, por exemplo? E do efeito desses diálogos sobre as mentes infantis?

        Pois um professor de Sociologia da Universidade da Pensilvânia realizou a experiência.

        O Dr. Bossard conseguiu fartos exemplos da conversa de famílias, à hora do jantar. E, embora não tivesse imaginado, descobriu alguns estilos, definidos pelos hábitos de conversação constante.

        Um dos mais evidentes foi o estilo crítico. Isto é, durante a refeição, não se falava nada de bom a respeito de alguém.

        O assunto constante eram os amigos, parentes, vizinhos, os aspectos de suas vidas, naturalmente sempre apresentados de forma negativa.

        Reclamava-se das filas no supermercado, do mau atendimento em lojas, da grosseria do chefe, enfim, das coisas ruins que existem no mundo.

        Essa atmosfera familiar negativa redundava, conforme as observações realizadas, em crianças insociáveis e malquistas. Portanto, com problemas acontecendo na escola, na vizinhança.

        Em outro grupo, as hostilidades da família se voltavam para dentro, contra si mesma.

        Dr. Bossard classificou o grupo como os brigões, porque, sem exceção, as refeições se constituíam em torneios de insultos e brigas.

        Tudo era motivo para acusações mútuas.

        Nesse caso, as crianças absorviam o estilo que lhes criava problemas. Mesmo que isso, por vezes, viesse a se revelar depois de já crescidas e casadas, nos novos lares constituídos.

        Um grupo de famílias revelou um estilo exibicionista. Num primeiro momento, o observador poderia se deixar encantar pelo brilho de espírito e o bom humor demonstrado por todos.

        Contudo, aprofundando-se na pesquisa, essas famílias revelaram que todos se portavam como se fossem atores.

        E cada qual desejava sobrepujar o outro, aparecer mais. Isso redundava em crianças que, onde estivessem, desejavam ser o foco das atenções.

        Quando assim não acontecia, elas se sentiam desprezadas e repelidas, limitando a sua simpatia e respeito pelos outros.

        Mas, afinal, será que nenhuma das famílias tinha bons hábitos de conversação?

        Claro que sim. Essas foram adjetivadas como portadoras de atitude correta de processo interpretativo.

        Nesse caso, as pessoas, os acontecimentos, os fatos são comentados pela família de forma tranqüila, com dignidade e, até, com senso de humor.

        As crianças são animadas a participar da conversa e são ouvidas com respeito. A nota dominante, nesse grupo familiar, é a compreensão.

                                                                *   *   *

        Se, ouvindo ou lendo esta mensagem, você se  deu conta de que sua família pertence a um dos grupos de conversação incorreta, não se perturbe.

        O estilo das conversas pode ser modificado. E pode começar hoje.

        O primeiro passo é descobrir o estilo dominante e, num esforço conjunto da família, modificar a conversação.

        Afinal, um grande Mestre disse um dia que o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai dela.

        Pensemos nisso. Melhorar o estilo da conversa em família não é garantia absoluta de crianças ajustadas.

        Mas é um meio seguro de lhes proporcionar melhores oportunidades de uma vida equilibrada, pois o exemplo é forte ingrediente na formação do caráter.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo
Cuidado com a conversa – Há crianças ouvindo, de
Thomas J. Fleming, da Revista Seleções do
Reader´s Digest, fevereiro de 1960.
Em 20.11.2008.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Caros amigos
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Gostaríamos de avisá-los que estaremos realizando os
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estudos de sábado, no salão do Albardão!
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Esperamos contar com a presença de vocês.
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Um abraço
,
Equipe
AESBEM

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Necessidade do estudo de Kardec para discernimento doutrinário



Confusões intencionais e não-intencionais, lançadas nos meios espíritas – O problema umbandista – Mensagens de Ramatis.

Há muitas confusões, feitas intencionalmente ou não, entre o Espiritismo e numerosas formas de crendice popular, inclusive as formas de sincretismo religioso afro-brasileiro, hoje largamente difundidas. Adversários da doutrina espírita costumam fazer intencionalmente essas confusões, com o fim de afastar do Espiritismo as pessoas cultas. Por outro lado, alguns espíritas mal orientados, que não conhecem a própria doutrina, colaboram nesse trabalho de confusão, admitindo como doutrinárias as mais estranhas manifestações mediúnicas e as mais evidentes mistificações.

Alguns leitores se mostram justamente alarmados com a larga aceitação que vêm tendo, em certos meios doutrinários, práticas de Umbanda e comunicações de Ramatis. E nos escrevem a respeito, pedindo uma palavra nossa sobre esses assuntos. Na verdade, já escrevemos numerosas crônicas tratando da necessidade de vigilância nos meios espíritas, de maior e mais seguro conhecimento dos nossos princípios, e apontando os perigos decorrentes do entusiasmo fácil, da aceitação apressada de certas inovações. Mas, para atender às solicitações, voltaremos hoje ao assunto. Kardec dizia, como muita razão, que os adeptos demasiado entusiastas são mais perigosos para a doutrina do que os próprios adversários. Porque estes, combatendo o que não conhecem, evidenciam a própria fraqueza e contribuem para o esclarecimento do povo, enquanto os adeptos de entusiasmo fácil comprometem a causa. O que estamos vendo hoje, no meio espírita brasileiro, não é mais do que a confirmação dessa assertiva do codificador. Espíritas demasiado entusiastas estão sempre prontos a receber qualquer "nova revelação" que lhes seja oferecida e a divulgá-la sofregamente, como verdades incontestáveis. Que diferença entre o equilíbrio e a ponderação de Kardec e essa afoiteza inútil e prejudicial!

No tocante à Umbanda, já dissemos aqui, numerosas vezes, que se trata de uma forma de sincretismo religioso, ou seja, de mistura de religiões e cultos, com a qual o Espiritismo nada tem a ver. As formas de sincretismo religioso são, praticamente, as nebulosas sociais de que nascem as novas religiões. A Umbanda já superou a fase inicial de nebulosa, estando agora em plena fase de condensação. É por isso que ela de difunde com mais intensidade. Já se pode dizer que é uma nova religião, formada com elementos das crenças africanas e indígenas, misturados a crenças e formas de culto do catolicismo e do islamismo em franco desenvolvimento entre nós. O Espiritismo não participou da sua formação, embora os nossos sociólogos, em geral, exatamente por desconhecerem o Espiritismo, digam o contrário, pois confundem o mediunismo primitivo, de origem africana e indígena, com os princípios de uma doutrina moderna. Nós, espíritas, devemos respeitar na Umbanda uma religião nascente, mas não podemos admitir confusões entre as suas práticas sincréticas e as práticas espíritas.

Quando às mensagens de Ramatis, também já tivemos ocasião de declarar que se trata de mensagens mediúnicas a serem examinadas. De nossa parte, consideramo-las como mensagens confusas, dogmáticas, vazadas na linguagem típica dos espíritos pseudo-sábios, a que Kardec se refere na escala espírita de O Livro dos Espíritos. Cheias de afirmações absurdas e até mesmo contraditórias, essas mensagens revelam uma fonte que devia ser encarada com menos entusiasmo e com mais cautela pelos espíritas.

Em geral, nossos confrades se entusiasmam com "as novas revelações" aparentemente contidas nas mesmas, esquecendo-se de passá-las, como aconselhava Kardec, pelo crivo da razão. O que temos de aconselhar a todos, pelo menos a todos os que nos consultam a respeito, é mais leitura e mais estudo de Kardec, e menos atenção a espíritos que tudo sabem e a tudo respondem com tanta facilidade, usando sempre uma linguagem envolvente, em que nem todos sabem dividir a verdade do erro. "O Espiritismo", dizia Cairbar Schutel, "é uma questão de bom senso". Procuremos andar de maneira sensata, na aceitação de mensagens mediúnicas.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

DISSERTAÇÕES ESPIRITAS.


A nova torre de Babel.
(Sociedade de Paris. - 6 de fevereiro de 1863. - Médium, senhora Costel.)

O Espiritismo é o Cristianismo da idade moderna; ele deve restituir às tradições seu sentido espiritualista. Outrora, o Espírito se fez carne; hoje, a carne se faz Espírito para desenvolver a idéia gigantesca que deve renovar a face do mundo. Mas à festa da criação espírita sucederão a perturbação e o orgulho dos sistemas diversos, que, desprezando os sábios ensinamentos, planejarão uma nova torre de Babel, obra de confusão, logo reduzida a nada, porque as obras do passado são a garantia do futuro, e nada se dissipa do tesouro da experiência amontoado pelos séculos. Espíritas, formai uma tribo intelectual; segui vossos guias mais documente do que não fizeram os Hebreus; viemos também vos livrar do jugo dos Filisteus, e vos conduzir para a Terra Prometida. Às trevas das primeiras idades sucederá a aurora, e ficareis maravilhados de compreender a lenta reflexão das idades anteriores sobre o presente. As lendas reviverão energicamente como a realidade, e adquirireis a prova da admirável unidade, garantia da aliança contratada por Deus com suas criaturas.

SÃO LUÍS

O verdadeiro Espírito das tradições
(Sétif, Argélia, 15 de outubro de 1863.)

Abri as Escrituras sagradas, e nela encontrareis, a cada página, predições ou alegorias incompreensíveis para quem não está ao corrente das revelações novas, e que, para a maioria, foi interpretada pelos seus comentaristas de maneira conforme à sua opinião e, muito freqüentemente, ao seu interesse. Mas tomando por guia a ciência que começastes a adquirir, sabereis descobrir facilmente o sentido oculto que elas encerram. Os antigos profetas eram todos inspirados por Espíritos elevados que não lhes davam, em suas revelações, senão ensinamentos de natureza a serem compreendidos pelas inteligências de elite e cujo senso não estivesse em oposição muito patente com o estado dos conhecimentos e dos preconceitos daqueles tempos. Seria preciso que fosse possível interpretá-los de maneira apropriada à inteligência das massas, para que estas não os rejeitassem, como não teriam deixado de fazê-lo, se essas predições estivessem em oposição muito formal com as idéias gerais.

Hoje nosso cuidado deve ser o de vos esclarecer completamente, e, ao mesmo tempo, de vos fazer compreender a aproximação que existe entre a nossa revelação e a dos antigos. Temos uma outra tarefa a cumprir, é a de combater a mentira, a hipocrisia e o erro, tarefa muito difícil e muito árdua, mas da qual chegaremos ao fim, porque tal é a vontade de Deus. Tende fé e coragem; Deus não encontra jamais obstáculo irresistível à sua vontade. Os meios imprevistos serão empregados por suas ordens para vencer o gênio do mal personificado agora por aqueles que deveriam caminhar à frente do progresso, e propagar a verdade em lugar de pôr-lhe entraves por orgulho ou por interesse. É preciso, pois, anunciar por toda a parte com confiança e segurança o fim próximo da escravidão, da injustiça e da mentira; digo o fim próximo, porque os acontecimentos, se bem que devendo se cumprir com a sábia lentidão que a Providência põe em suas reformas, para evitar as infelicidades inseparáveis de uma grande precipitação, terão seu
curso num espaço de tempo mais próximo do que não o esperam aqueles que se assustam com os obstáculos que prevêem, e que não o esperam também aqueles que, por medo ou por egoísmo, estão interessados na manutenção indefinida do estado das coisas.

Sede, pois, ardentes na propaganda, mas prudentes à frente de vossos ouvintes, para não assustar as consciências tímidas e ignorantes; só os egoístas não exigem nenhuma reserva, e não devem vos inspirar nenhum medo. Tendes a ajuda de Deus, sua resistência será impotente contra vós; é preciso mostrar-lhes, sem equívoco, o futuro terrível que os espera, por causa deles mesmos, e por causa daqueles que se deixaram perverter por seu exemplo, porque cada um é responsável pelo mal que faz, e daquele do qual é causa.

SANTO AGOSTINHO.
Revista Espírita, novembro de 1863 , Allan kardec

domingo, 16 de novembro de 2008

PALAVRAS

Redação do Momento Espírita
http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1695&let=P&stat=0
Quantas vezes, ao longo da vida, observamos as bênçãos e os estragos causados por uma palavra.
Palavras o vento leva - diz o provérbio popular.Mas nem sempre é assim.
Há palavras que dificilmente conseguimos esquecer.
Muitas vezes, as palavras transmitem a gratidão de que está plena nossa alma.
Então, elas tomam a forma de doces expressões.
Em outras ocasiões, elas servem para demonstrar o desgosto que nutrimos.
Tornam-se amargas como o fel.
Há momentos em que as palavras são encorajadoras, leves, repletas de luz.
São a manifestação da amizade e do amor.
Em outros momentos, elas são como ácido: agridem os que as ouvem.
São tristes e dolorosas. Nesse instante, são as condutoras do desencanto e da infelicidade.
Sobre a natureza das palavras há uma reflexão a fazer: elas são a expressão daquilo que carregamos na alma.
Foi o próprio Jesus quem advertiu: Os lábios falam daquilo que está cheio o coração.
Que grande verdade!As palavras apenas traduzem o que ocorre dentro de nós.
Se acalentamos mágoa, desejo de vingança, revolta, ódio e dor, nossos lábios se abrirão para deixar sair uma torrente de palavras rudes.
E quem nos ouvir entenderá que trazemos o coração obscurecido por sentimentos doentios.
Haverá, inclusive, quem passe a nos evitar, a fim de não ter contato com essa descarga de mau humor ou de depressão.
Por outro lado, se nos expressamos mediante palavras de engrandecimento, bem-estar, alegria e paz, nossa boca se tornará instrumento da esperança e da fraternidade.
E quem nos ouvir deduzirá que trazemos a alma clara, iluminada por sentimentos saudáveis.
Haverá até quem nos procure, para ter contato com a torrente de otimismo e serenidade (*) que deixamos escapar dos lábios.
É bem verdade que passamos a maior parte do tempo alternando entre momentos risonhos e os de raiva ou tristeza.
Por isso, o nosso desafio diário é tornar cada vez mais freqüentes os estados de ânimo felizes.
Nossa tarefa é nos educar para que nossos lábios sejam instrumentos do bem que habita em nós.
É essencial moderar a língua, medir as palavras, pensar antes de falar.
Melhor ainda: é imprescindível educar os sentimentos, disciplinar a mente, ser firme no combate ao desejo por reclamações, fofocas e comentários ferinos.
Somos Espíritos imortais, responsáveis pelo impacto de nossas palavras, pensamentos e atitudes.
Responderemos a Deus e à nossa consciência, por todas as palavras ferinas que dirigirmos aos outros.
Sim, pois as palavras têm força e podem causar tremendos impactos sobre a vida alheia.
Que este impacto seja, então, positivo.
Que cada uma de nossas palavras seja de estímulo, amizade, fraternidade, pacificação.
Mesmo quando discordarmos, sejamos moderados, prudentes e bondosos.
Não esqueçamos: sempre há um sabor para pôr nas palavras: a doçura do mel ou o amargor do fel.
A escolha é inteiramente de cada um.

Redação do Momento Espírita
Em 07.12.2007.www.momento.com.br

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A CRIANÇA E O SEGREDO

Num bonde de Botafogo, Rio de Janeiro, conversam uma jovem senhora, mãe de uma menininha que a acompanha, e sua amiga.
As duas vão falando animadamente sobre assuntos diversos, e no meio delas, a criança se sente um tanto desnorteada.
Volta a cabeça de um lado para outro, ao mesmo tempo que sublinha cada frase com uma expressão de inteligência ou incompreensão.
Quando o assunto está em plena efervescência, a criança intervém com um aparte.
E daí em diante a conversa, passando de um lado para o outro, inevitavelmente pára, a uma objeção da pequena interlocutora.
A certa altura da conversa, a mamãe começa a ficar um tanto inquieta em relação às observações da menina.
Mais adiante, já aponta para a paisagem, a ver se ela se distrai. Mas a menina está muito interessada no assunto, e a amiga da mãe parece estar muito satisfeita com isso.
O bonde anda mais um pouco, enquanto a criança faz seu comentário pertinente.
Então, a mamãe sorri para a amiga, como quem diz: "Você sabe, é preciso calar a boca desta tagarela"...; e pondo a mão em concha no ouvido da menina, diz qualquer coisa para a amiga, acompanhada de um olhar muito confidencial.
Como é? - a menina não entendeu bem.
E torna a mãe a repetir o segredinho, enquanto a mão enluvada diz que não, com o indicador autoritário e irritado.
Como conclusão do armistício, um beijinho rápido e inesperado nos caracoizinhos dourados enrolados na testa.
A amiga sorri, a mamãe sorri, e a menina olha para uma e para outra, meio desconfiada e desapontada, sem dizer mais nada.
A criança pode ter uns cinco anos.
Quando tiver mais dez a mamãe um dia lhe perguntará, entristecida: Mas, minha filha, que segredo é esse que você me esconde?Já não se lembrará que ela mesma lhe ensinou a calar...
Que dividiu a vida em duas partes: uma que se pode, outra que não se pode mostrar.
E a menina, que antigamente assistia aos exemplos de casa, está praticando, agora, aqueles exemplos...
Quem nos traz tais preocupações com a educação infantil é a ilustre poetisa brasileira, Cecília Meireles, em uma de suas muitas crônicas sobre educação.
A autora é muito feliz em apontar um costume muito comum nas famílias, e que gera conseqüências desastrosas, em muitas ocasiões.
Por vezes, sem perceber, pais e educadores ensinam os filhos a calar, a esconder sentimentos e a mentir.
Seus exemplos ensinam sempre mais do que qualquer retórica inflamada.
As crianças fitam a conduta dos pais, e se inspiram nela, já que são sempre seu primeiro e maior referencial.
Precisamos redobrar o cuidado, e manter com os filhos, desde tenra idade, uma relação franca, sem segredos e sem mistérios.
Explicar sempre a razão dos não e dos sim, que serão freqüentes e naturais, faz-se condição indispensável para construir uma boa relação de respeito e amizade.
O caminho do porque sim e pronto, ou do porque não e chega, é mais cômodo para os educadores, porém, é perda de oportunidade de educar com profundidade.
Cultivar o diálogo aberto e franco sempre, é cultivar o amor em sua expressão mais bela e luminosa.

Equipe de Redação do Momento Espírita com base no cap. A criança e o segredo, do livro Crônicas de educação, de Cecília Meireles, ed. Nova fronteira.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Vítimas do Hábito



Texto da Equipe de Redação do Momento Espíritawww.momento.com.br


Existem pessoas que encontram muita dificuldade em fazer pequenas mudanças em seus hábitos.

Pessoas que têm suas coisas bem arrumadas e nos lugares certos, sempre na mesma posição e, de preferência, na mesma ordem.

Seguem sempre pelos mesmos caminhos, freqüentam os mesmos restaurantes e pedem os pratos já conhecidos.

Encontram sempre os mesmos amigos, torcedores do mesmo time, e conversam com os que trabalham em profissões semelhantes.

Geralmente ouvem a mesma rádio, assistem os mesmos canais de televisão, e variam pouco a programação.

De certa forma, isso as faz sentirem-se seguras. Arriscar não é do seu feitio.

Por outro lado, pessoas assim acabam sendo vítimas do hábito e têm grande dificuldade para resolver problemas. A menos que sejam problemas já conhecidos.

Isso gera ansiedade, depressão e baixa auto-estima quando precisam encontrar solução para situações inesperadas e sua criatividade é solicitada Ah, se esses adultos pudessem se ver quando tinham a desenvoltura dos seus 5 ou 6 anos de idade...

Era uma idade em que a criatividade brotava por todos os poros.

Não faltava solução para problema algum. Não havia perigo que não fosse afastado com um disparo de água, com seu revólver de brinquedo.

Não havia guerra que não pudesse ser vencida com algumas bolinhas de papel, arremessadas com um elástico esticado na ponta dos dedos.

Agora são executivos, homens e mulheres de negócio...

Pessoas que precisam mostrar seriedade.

Todavia, esquecem-se de que seriedade não quer dizer sisudez nem falta de um sorriso nos lábios.

Essas reflexões nos fazem lembrar um garoto de setenta e poucos anos, homem público, respeitável profissional reconhecido no mundo inteiro, que se diverte brincando com um bilboquê, ou andando de balanço.

Podemos até imaginar a felicidade dos seus netos ao ver o avô brincando como um garoto...
Esse homem é um ilustre professor, psiquiatra, educador e escritor brasileiro.

Ninguém imagina que um homem desses não seja um profissional sério só porque não assassinou o menino que corria pelos quintais, fazia piruetas e despencava dos galhos das árvores de vez em quando.

Não podemos crer que esse profissional seja menos competente só porque todas as vezes que se sente inseguro, chama o menino que habita seu ser, e este vem e lhe dá a mão.

Podemos imaginar justamente o contrário: uma grande capacidade de resolver conflitos e problemas.

Uma pessoa assim tem grande criatividade, leveza e satisfação em tudo o que faz.

Seus escritos exalam um suave perfume de jardim em flor. Suas idéias fluem com a suavidade da brisa das manhãs primaveris.

É de pessoas assim que o mundo precisa.

Homens e mulheres confiantes, alegres, honestos, descomplicados, leves...

* * *

A seriedade é uma característica do espírito. Um sorriso não a destrói. Um rosto fechado não a garante.

Pense nisso, e considere que a criança que habita em você pode lhe ajudar a encontrar a felicidade que há muito você vem procurando.

Não Abandone nem maltrate!!!!



A LÓGICA

Emmanuel

Quando o homem acende a luz da boa vontade no próprio coração, procura trabalhar incessantemente.

Quando trabalha, adquire conhecimento.

Quando conhece, amplia a visão espiritual.

Quando vê claramente, entra na posse da grande compreensão.

Quando compreende, aprende a sair de si próprio, abandonando a concha escura do egoísmo.

Quando abandona o antigo círculo da personalidade, encontra a alegria de ser útil.

Quando auxilia realmente, empreende em si mesmo a construção da verdadeira fraternidade.

Quando se sente o irmão do próximo e companheiro dos seus vizinhos, descobre no próprio coração o tesouro do amor.

Quando ama, sabe renunciar às antigas ilusões que o prendem às sombras.

Quando entra na posse da luz no santuário do sentimento, entrega-se ao sacrifício da própria existência, a favor de todos.

Abrir o coração e estender os braços, fraternalmente, para a vida e para a Natureza, servindo constantemente.

Esse é o nosso primeiro passo na aquisição do título de filhos da luz, segundo Jesus Cristo.

Do livro: Agenda Cristã - Psicografia: Francisco Cândido Xavier

domingo, 31 de agosto de 2008

Em oração

Na véspera da partida do Senhor, no rumo de Sídon, o culto do Evangelho, na residência
de Pedro, revestiu-se de justificável melancolia. As atividades do estudo edificante prosseguiriam,mas o trabalho da revelação, de algum modo, experimentaria interrupção natural.

A leitura de comoventes páginas de Isaías foi levada a efeito por Mateus, com visível
emotividade; entretanto, nessa noite de despedidas ninguém formulou qualquer indagação.
Intraduzível expectativa pairava no semblante de todos.

O Mestre, por si, absteve-se de qualquer comentário, mas, ao término da reunião, levantou
os olhos lúcidos para o Céu e suplicou fervorosamente:

— Pai, acende a Tua Divina Luz em torno de todos aqueles que Te olvidaram a bênção,
nas sombras da caminhada terrestre.

Ampara os que se esqueceram de repartir o pão que lhes sobra na mesa farta.

Ajuda aos que não se envergonham de ostentar felicidade, ao lado da miséria e do infortúnio.

Socorre os que se não lembram de agradecer aos benfeitores.

Compadece-te daqueles que dormiram nos pesadelos do vício, transmitindo herança dolorosaaos que iniciam a jornada humana.

Levanta os que olvidaram a obrigação de serviço ao próximo.

Apiada-te do sábio que ocultou a inteligência entre as quatro paredes do paraíso doméstico.

Desperta os que sonham com o domínio do mundo, desconhecendo que a existência na carne é simples minuto entre o berço e o túmulo, à frente da Eternidade.

Ergue os que caíram vencidos pelo excesso de conforto material.

Corrige os que espalharam a tristeza e o pessimismo entre os semelhantes.

Perdoa aos que recusaram a oportunidade de pacificação e marcham disseminando a revolta e a indisciplina.

Intervém a favor de todos os que se acreditam detentores de fantasioso poder e supõem loucamente absorver-te o juízo, condenando os próprios irmãos.

Acorda as almas distraídas que envenenam o caminho dos outros com a agressão espiritual dos gestos intempestivos.

Estende paternas mãos a todos os que olvidaram a sentença de morte renovadora da vida que a tua lei lhes gravou no corpo precário.

Esclarece os que se perderam nas trevas do ódio e da vingança, da ambição transviada e da impiedade fria, que se acreditam poderosos e livres, quando não passam de escravos, dignos de compaixão, diante de teus sublimes desígnios.

Eles todos, Pai, são delinqüentes que escapam aos tribunais da Terra, mas estão assinalados por Tua Justiça Soberana e Perfeita, por delitos de esquecimento, perante o Infinito Bem...

A essa altura, interrompeu-se a rogativa singular.

Quase todos os presentes, inclusive o próprio Mestre, mostravam lágrimas nos olhos e,
no alto, a Lua radiosa, em plenilúnio divino, fazendo incidir seus raios sobre a modesta vivenda
de Simão, parecia clamar sem palavras que muitos homens poderiam viver esquecidos do Supremo Senhor; entretanto, o Pai de Infinita Bondade e de Perfeita Justiça, amoroso e reto, continuaria velando...

Jesus no Lar, Francisco Cândido Xavier por Neio Lúcio

terça-feira, 22 de julho de 2008

Polêmica espírita

Revista Espírita, novembro de 1858

Várias vezes perguntaram-nos por que não respondemos, em nosso jornal, aos ataques de certas folhas dirigidos contra o Espiritismo em geral, contra seus partidários, e, algumas vezes mesmo, contra nós. Cremos que, em certos casos, o silêncio é a melhor resposta. Aliás, há um gênero de polêmica do qual fizemos uma lei nos abstermos, e é aquela que pode degenerar em personalismo; não somente ela nos repugna, mas nos toma um tempo que podemos empregar mais utilmente, e seria muito mais interessante para nossos leitores, que assinam para se instruírem, e não para ouvirem diatribes, mais ou menos espirituais; ora, uma vez iniciados nesse caminho, seria difícil dele sair, por isso preferimos não entrar e pensamos que o Espiritismo, com isso, não pode senão ganhar em dignidade. Não temos, até o presente, senão que nos aplaudir por nossa moderação; dela não nos desviaremos, e não daremos jamais satisfação aos amadores de escândalo.
Mas, há polêmica e polêmica; e há uma diante da qual não recuaremos jamais, que é a discussão séria dos princípios que professamos. Entretanto, aqui mesmo há uma distinção a fazer; se não se trata senão de ataques gerais, dirigidos contra a Doutrina, sem outro fim determinado que o de criticar, e da parte de pessoas que têm um propósito de rejeitar tudo o que não compreendem, isso não merece que deles se ocupe; o terreno que o Espiritismo ganha, cada dia, é uma resposta suficientemente peremptória, e que deve provar-lhes que seus sarcasmos não produziram grande efeito; também notamos que a seqüência ininterrupta de gracejos, dos quais os partidários da Doutrina eram objeto recentemente, se apaga pouco a pouco; pergunta-se, quando se vêem tantas pessoas eminentes adotarem essas idéias novas, se há do que se rir; alguns não riem senão com desprezo e por hábito, muitos outros não riem mais de tudo e esperam.
Notamos ainda que, entre os críticos, há muitas pessoas que falam sem conhecer a coisa, sem terem se dado ao trabalho de aprofundá-la; para responder-lhes seria preciso, sem cessar, recomeçar as explicações mais elementares, e repetir o que escrevemos, coisa que cremos inútil. Não ocorre o mesmo com aqueles que estudaram, e que não compreenderam tudo, aqueles que querem seriamente se esclarecer, que levantam as objeções com conhecimento de causa e de boa fé; sobre esse terreno aceitamos a controvérsia, sem nos gabar de resolvermos todas as dificuldades, o que seria muita presunção. A ciência espírita está no seu início, e ainda não nos disse todos os seus segredos, por maravilhas que nos haja revelado. Qual é a ciência que não tem ainda fatos misteriosos e inexplicados?
Confessaremos, pois, sem nos envergonharmos, nossa insuficiência sobre todos os pontos aos quais não nos for possível responder. Assim, longe de repelir as objeções e as perguntas, nós as solicitamos, contanto que não sejam ociosas e nos façam perder nosso tempo em futilidades, porque é um meio de se esclarecer. Aí está o que chamamos uma polêmica útil, e o será sempre quando ocorrer entre duas pessoas sérias, que se respeitarem bastante para não se afastarem das conveniências. Pode-se pensar diferentemente, e, com isso, não se estimar menos. Que procuramos nós todos, em definitivo, nessa questão tão palpitante e tão fecunda do Espiritismo? Esclarecer-nos; nós, primeiramente, procuramos a luz, de qualquer parte que ela venha, e, se emitimos a nossa maneira de ver, isso não é senão uma opinião individual que não pretendemos impor a ninguém; nós a entregamos à discussão, e estamos prontos para renunciá-la, se nos for demonstrado que estamos em erro. Essa polêmica, nós a fazemos todos os dias em nossa Revista, pelas respostas ou refutações coletivas que tivemos ocasião de fazer a propósito de tal ou tal artigo, e aqueles que nos dão a honra de nos escreverem, ali encontram sempre a resposta ao que nos perguntam, quando não nos é possível dá-la individualmente por escrito, o que o tempo material nem sempre nos permite. Suas perguntas e suas objeções são igualmente assuntos de estudos, que aproveitamos para nós mesmos, e os quais ficamos felizes em fazer nossos leitores aproveitarem, tratando-os à medida que as circunstâncias trazem os fatos que possam ter relação com eles. Igualmente nos alegramos em dar verbalmente explicações que podem nos ser pedidas pelas pessoas que nos honram com a sua visita, e nessas conferências, marcadas por uma benevolência recíproca, nos esclarecemos mutuamente.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A paixão... ah... a paixão....

- A paixão, meu amigo, é uma febre efêmera resultado de uma reação bioquímica, que como qualquer outra reação é temporária. É uma emoção anfetamínica. Em linguagem mais psicológica, podemos dizer que é um fenômeno de projeção onde nos apaixonamos por nossa contraparte idealizada na outra pessoa. É tão só um deslumbramento passageiro. Eu já superei tais infantilidades psicológicas. Apaixonar-se na origem da palavra grega significa estar submetido a algo ou a alguém de maneira que não somos mais senhores de nós mesmos. Deus me livre de tão triste situação! Sou livre e por isso não preciso me apaixonar, só o amor é verdadeiro, a paixão é uma ilusão que deve ser vencida. Os especialistas já dizem que a paixão é passageira e que não tarda mais que dois ou três anos para cessar por completo, por que perder tempo com tal coisa?

Que saco! Sempre escuto algumas pessoas falarem assim. Na verdade eu nunca acreditei tanto nessas palavras, parece que estou lendo um dicionário ou um manual de patologias psíquicas para falar de um fenômeno de natureza tão oposta. É como colocar um narrador de futebol para traduzir uma sinfonia de Mozart.

Sempre me intrigou o fato de que se o princípio que rege as paixões é falso, por que então ele existe na natureza? Por que permite Deus que nos apaixonemos? Allan Kardec não deixou isso passar despercebido e mais uma vez me surpreendeu. O Espiritismo, quando o conheci, que se me desvendava uma Doutrina tão racional, em minha expectativa teria uma opinião próxima a do primeiro parágrafo, mas vejamos o que Kardec pergunta e qual a resposta dos Espíritos em O Livro dos Espíritos:

907. Será substancialmente mau o princípio originário das paixões, embora esteja na Natureza?
“Não; a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal.”

Que maravilha de resposta! O princípio que origina as paixões foi colocado em nós para o bem. Não é apenas uma trama cruel de nossos genes ou uma armadilha psicológica. É bem verdade que a paixão, assim como todos os sentimentos, tem uma fundamentação biológica. O corpo humano é um complexo concebido para manifestar as possibilidades do ser espiritual, assim como responde ao comando mecânico de nossa vontade, é preparado para responder emocionalmente de forma que os hormônios desencadeiam uma série de reações que conhecemos muito bem quando estamos com raiva, ou quando estamos apaixonados.Também é verdade dizer que ao nos apaixonarmos projetamos nossas necessidades e expectativas no outro, de forma que o outro se torna a ilusão do que sonhávamos para atender nossas necessidades e caprichos. Mas a paixão só é destruidora para as almas inferiores porque as pessoas desequilibradas não conseguem ter domínio sobre a paixão e usufruir dela moderadamente. A paixão, assim como qualquer outra coisa, torna-se-lhes um fator de desequilíbrio.

908. Como se poderá determinar o limite onde as paixões deixam de ser boas para se tornarem más?
“As paixões são como um corcel, que só tem utilidade quando governado e que se torna perigoso desde que passe a governar. Uma paixão se torna perigosa a partir do momento em que deixais de poder governá-la e que dá em resultado um prejuízo qualquer para vós mesmos, ou para outrem”

Diria que o desequilíbrio é uma criação do nosso ego e não está necessariamente no princípio que gera a paixão. A paixão é em princípio o deslumbramento, o interesse, o fascínio e a admiração. É uma sensação de sentir que algo ou alguém é especial e que há uma magia em torno deste algo ou alguém e esta magia nos mantém cativados e ligados a este ser ou objeto. Está relacionada com uma sensação de incompletude que impulsiona a humanidade ao progresso, se o ser humano fosse completo e acabado ele não se apaixonaria por nada. É a incompletude que o faz buscar algo e/ou alguém que lhe dê alguma compensação emocional. É por isso que dizem os Espíritos que o princípio das paixões foi colocado no homem para o seu bem e a paixão o tem feito realizar grandes coisas em benefício do seu progresso:

As paixões são alavancas que decuplicam as forças do homem e o auxiliam na execução dos desígnios da Providência. Mas, se, em vez de as dirigir, deixa que elas o dirijam, cai o homem nos excessos e a própria força que, manejada pelas suas mãos, poderia produzir o bem, contra ele se volta e o esmaga.

Todas as paixões têm seu princípio num sentimento, ou numa necessidade natural. O princípio das paixões não é, assim, um mal, pois que assenta numa das condições providenciais da nossa existência. A paixão propriamente dita é a exageração de uma necessidade ou de um sentimento. Está no excesso e não na causa e este excesso se torna um mal, quando tem como conseqüência um mal qualquer.

O que combatem os Espíritos é a situação em que a paixão fortalece nossa natureza animal e nos distancia da natureza espiritual. Quando a paixão é direcionada para um ideal nobre, para uma grande realização, ela é sempre positiva, o problema é que ela tem sido usada apenas para a realização de nossos interesses mesquinhos e egoístas.

Mas estamos no dia dos namorados, o que você leitor quer saber é se essa paixão dos namorados é boa ou ruim, verdadeira ou falsa; se devemos ou não nos deixar levar por ela ou fazer como anuncia o primeiro parágrafo. Eu respondo. Ela é falsa, mas se deixe levar por ela mesmo assim. Aliás, de certa forma, tudo aqui é falso meu amigo! O que você acha que é real? Todo mundo sabe que a paixão passa um dia e que, sobre a pessoa por quem nos apaixonamos, projetamos nossas ilusões e é muito provável que o outro não corresponda plenamente a essas expectativas causando-nos desilusão.

As ilusões existem por uma razão. Elas não estão aí apenas para nos despistar. A ilusão é um esboço mal feito da realidade porque não conseguimos ainda enxergar a realidade. Ainda somos seres inferiores e incompletos, não podemos compreender plenamente a vida em sua essência espiritual mais pura. A matéria exerce um papel fundamental em nossa caminhada evolutiva, permitindo que gradualmente conheçamos as verdades espirituais. Se não fossem as ilusões não descobriríamos a realidade. Como distinguir as coisas sem contrastes? O que é a ilusão se não o contraste que nos permite distinguir a realidade? Exemplificando, é como se eu lhe mostrasse a foto de uma amiga minha, você fará uma idéia de como ela é melhor do que outra pessoa a quem eu apenas a descrevi com palavras, mas só eu sei de fato como ela é porque eu a conheço pessoalmente. Se eu te peço pra buscá-la no aeroporto, provavelmente você a encontraria mais rápido do que alguém que não viu a foto. Assim, apesar da imagem da foto não ser a realidade, ela foi útil e te ajudou a conhecer a realidade e encontrar minha amiga mais facilmente. Você pode até se decepcionar e achar que ela era mais bonita na foto, pode até nem querer encontrá-la com medo que isso aconteça e permanecer apaixonado pela foto, isso sim seria uma distorção e uma fuga da realidade. Há pessoas que preferem viver sempre apaixonadas e fogem de um relacionamento sempre que se deparam com a realidade, são ainda imaturas espiritualmente e não entenderam ainda a finalidade das ilusões.

Vivemos em um mundo de ilusões, temos uma imagem ilusória de quem somos e uma imagem ainda mais ilusória de quem é o outro, mas se não nos interessarmos por essas ilusões, como descobriremos um dia a verdade? Se a vida é uma ilusão devo por isso perder meu interesse pela vida? A ilusão, meus amigos, é só uma das facetas da realidade porque no universo só existe a realidade e se criamos ilusões, de alguma forma elas são reais e necessárias porque nós as criamos.

A paixão se metamorfoseará em amor quando existir uma relação equilibrada, a paixão sonha em transformar-se em amor, porque é o amor que dá sentido à vida e é a razão e o alimento da própria vida. Assim não há problema se você se apaixona pela bela moça desconhecida. Não precisa se sentir inferior ou culpado por apaixonar-se por alguém que nem conhece direito. Se você conhecesse direito não se apaixonaria mesmo, porque quando conhecemos bem alguém já não há espaço para nos iludirmos. Mas lembre-se do que dizem os Espíritos, devemos manter controle sobre a paixão para que ela não nos domine e dê vazão às nossas psicoses, neste caso ela se tornará patológica, é o caso dos que se apaixonam todos os dias por uma pessoa diferente ou que perdem os limites da razão, da civilidade e até da legalidade para submeter o outro às suas fantasias.
A atração física é um processo natural e biológico. Não é pecado. Se você não sente nenhuma atração física pelo sexo oposto isto pode ser patológico, você pode está sob algum recalque ou repressão psicológica causada por algum trauma ou desilusão passada, algum abuso ao qual foi submetido (a), ou talvez tenha algum problema hormonal que comprometeu suas funções biológicas, é bom procurar um especialista. A maioria das vezes que um homem se aproxima de uma mulher, e vice versa, isso ocorre por um interesse físico, mas nos dias atuais isso não garante que o outro fique ao seu lado. A maioria dos religiosos se sentem culpados por sentirem atração física por outra pessoa e vivem lutando contra isso. O desejo reprimido se torna patológico e pode virar distúrbio no futuro. O ideal é encarar o processo com naturalidade. Se sentimos atração, ótimo!, isso quer dizer que estamos vivos e saudáveis, o que faremos com isso, é uma questão de princípios. Para as pessoas mais vividas basta uma primeira conversa para saber se a moça ou rapaz são apenas uma carinha bonita ou se tem algum tutano.

Outro fato interessante é que depois de viver muitas paixões e descobrir que beleza física, caráter e inteligência dificilmente andam as três juntas, as pessoas descobrem que mais vale abdicar de certos padrões rígidos de beleza e privilegiar o caráter e inteligência, isso, claro, se se tratar de uma pessoa de bom caráter e com um mínimo de inteligência. Até porque a beleza é corroída pelo tempo enquanto as outras características se fortalecem com ele. Você quer saber se está escolhendo a pessoa certa? Imagine-se velho ao lado desta pessoa, sem beleza e sem glamour e pergunte-se se você suportaria estar ao lado dela assim mesmo. Se a resposta for não, então pule fora! É interessante também que nos deixamos seduzir porque o outro alimenta nossas expectativas e ilusões. Sobre este aspecto, outra coisa que aprendemos com o tempo é a não nos iludirmos com palavras bonitas e juras de amor eterno e estar mais atento para as atitudes do ou da pretendente. Não é um bom sinal quando as atitudes contrariam o que dizem as palavras.

Eu queria propor uma reflexão aos defensores das máximas do primeiro parágrafo. Apenas quero refletir sobre o motivo real que os levaram a pensar assim. Muitos dos que dizem evitar ou fugir das paixões no fundo fogem da vida e de vivenciar emoções sobre as quais não tem controle. São medrosos e tem baixa estima e baixa tolerância a frustração e aí ficam com esse discurso intelectualoide, fingindo ser inabaláveis e estarem acima da carne seca.
Acham que por evitarem as paixões evitarão também frustrações e sofrimentos. Vivem uma vida insípida e sem graça, eles não desistiram apenas de se apaixonar por alguém, mas desistiram de se apaixonar pela vida. Depois de quebrar a cara algumas vezes as pessoas geralmente endurecem seus corações e dizem que não vão mais se apaixonar, mas basta assistir uma comediazinha romântica para ficar dando suspiros e escondendo as lágrimas. Todos sonhamos com um final feliz! Destes bem caretas e previsíveis.Afinal, existe coisa menos original que a paixão? Sim, é sempre a mesma estória que se repete, não é nada original, ela parece brega e superada, ela inspira canções e histórias que parecem todas iguais e que no final acabam com um casal apaixonado que viveu feliz para sempre, e apesar de brega e pouco original, nada consegue se manter na moda por tanto tempo. A indústria cinematográfica e a mídia exploram essa nossa necessidade para vender seus produtos. Lembre, a paixão existe por nossa incompletude, por nosso anseio de progresso que nos leva a buscar uma simetria que ainda não existe no campo do nosso sentimento. O sonho de nos completarmos projeta-se no mundo e nas pessoas fazendo-nos apaixonarmos, desistir de se apaixonar é desistir de progredir é desistir de sonhar.

Outro fator fundamental para a nossa saúde psíquica é que precisamos viver emoções. Como diz Roberto Carlos: “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”, me desculpem se estou ficando meio brega, mas se estou falando de paixão tenho licença para sê-lo. Viver é aprender com as emoções. Afinal, o que todos queremos é ser felizes e felicidade é um sentimento, como você vai aprender a “se sentir feliz” se você se priva de sentir qualquer coisa. As pessoas frustradas ficam congeladas emocionalmente, tornam-se loucas ou psicopatas. Quando nos permitimos viver uma paixão estamos nos permitindo sonhar e o sonho não te dá garantias de que se realizará, o sonho só te dá esperanças. Temos medo de ter esperanças e nos decepcionarmos e assim preferimos ser pessimistas e dizer: “eu não preciso de sonhos e ilusões”.
Admiro, sobretudo, as pessoas mais experientes que apesar de terem passado por muitas desilusões amorosas são capazes de se apaixonar novamente. Não inexperientemente como na adolescência, mas sem perder a magia e a esperança. Eu mesmo sou um grande apaixonado. Enquanto escrevo estas palavras toca aqui o CD do espanhol Luis Miguel, romantíssimo! E é claro que também tenho uma musa inspiradora para escrever assim sobre a paixão. Como eu poderia escrever assim se não fosse um apaixonado? Sou do tipo que ainda manda flores e que já varou noites escutando músicas românticas, mas que no outro dia está de pé com os pés no chão sem perder o senso prático da vida. Mas antes de tudo sou um apaixonado pela vida e me divirto com cada desilusão como se assistisse uma virgem que despe cada um dos seus véus em uma dança sensual. As ilusões são véus que tornam a verdade mais sensual e misteriosa.

Breno Henrique de Sousa, 12 de junho de 2008
Membro da Federação Espírita Paraibana e do Núcleo Espírita Eurípedes Barsanulfo.

domingo, 13 de abril de 2008

O amor


Quem somos nós para dizer a maneira correta de amar? O que seria amar uma pessoa? Lembrei da minha juventude, quando colecionava figurinhas, havia algumas figurinhas que falavam o que era o amor, muitas pessoas vão lembrar, começava assim: Amar é ...

Amar é ... aceitar o próximo de jeito que ele é.
Amar é ... querer vê-lo progredir e melhorar.
Amar é ... ajuda-lo sempre.
Amar é ... não esperar nada em troca.
Amar é ... servir.


Será que nós sabemos amar? A maioria de nós ainda deseja ser amada, somos todos seres carentes, que vêem no amor uma forma de se completarem. Mas amar é um sentimento completo em si, porque aquele que ama de verdade, possui dentro de si toda a infinidade da vida. O amor é o sentimento que nos impulsiona ao outro.

Como os seres humanos estão sempre evoluindo, o amor que é um sentimento destes seres também evolui, e o desenvolvimento do amor é fruto direto da evolução do Espírito que o pratica. A princípio o amor é instinto, sua manifestação é bruta, é a forma primitiva de amar, depois se torna um amor possessivo, o ser amado é uma propriedade, pode ser manipulado, coagido e controlado, esta fase é marcada pelo egoísmo. O amor torna-se então obsessivo, o ser amado é a razão de viver, é o sentido da vida, é o amor que acaba sufocando o ser amado. Surge então o amor dominador, aprisiona o ser amado , envolvendo-o no sentimento, não permite que tenha a sua própria identidade, é reconhecido pelo ciúme. Após estas etapas de aprendizado, o amor torna-se parceiro, compartilha com o ser amado, no cotidiano, a vivência do amor, mesmo quando estão em dificuldades, reconhecemos este amor pela compreensão, amizade, afeto e companheirismo. O amor torna-se então fraterno, é capar de dividir-se, de doar-se sem necessidade de reconhecimento ou gratidão. O mais sublime é o amor Divino, caracterizado pelo amor de Deus às criaturas, é a própria expressão da perfeição.

Deus criou todos os seres por amor e para amar.

Jesus veio nos ensinar o verdadeiro amor, aquele amor que transforma o outro, que é capaz de sair de si e comprometer-se com o progresso do outro.

Aprender a amar é a nossa finalidade. Mas amor é ação, não é apenas um sentimento que se nutre por alguém ou por alguma coisa. E como podemos aprender a amar? Só há uma forma de aprender a amar, é amando. Amamos quando nos doamos ou quando agimos em benefício do outro e com o outro.

Amar é uma aprendizagem. Não existe amor ou desamor à primeira vista, o que realmente existe é uma simpatia ou antipatia. Nós não sentimos amor simplesmente, nós vivenciamos amor. Como disse Ermance Dufaux: “Mesmo entre aqueles que a simpatia brota instantaneamente, Amor e convivência sadia serão obras do tempo no esforço diário do entendimento e do compartilhamento mútuo do desejo de manter essa simpatia do primeiro contato, amadurecendo-a com o progresso dos elos entre ambos”.

Bibliografia consultada


O Livro dos Espíritos, Allan Kardec
Laços de afeto, Ermance Dufaux
O Amor em Ação, Neíse Távora

Lei da Destruição

Se olharmos à nossa volta, poderemos perceber que tudo no universo está constantemente se destruindo e se construindo. Os Espíritos nos disseram que na natureza é necessário que tudo se destrua, para renascer e se regenerar, porque o que conhecemos como destruição, é na verdade transformação. Para que um animal se alimente e sobreviva é necessário que ele destrua outro ser vivo, seja um animal que ao pastar, destrói a grama, que agora lhe servirá de alimento, seja caçando outro animal. Este é um acontecimento útil, pois proporciona um equilíbrio natural entre os seres vivos.

Porém esta destruição não deve ultrapassar os limites das necessidades. Os animais não destroem mais do que o necessário, e o homem que possui o livre-arbítrio acaba abusando.
A natureza muitas vezes provoca a destruição através de flagelos como os terremotos, tsunames, secas, etc., ela o faz com o objetivo de fazer com que a humanidade progrida mais rapidamente.
Dizem os Espíritos: ”–Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência, de mostrar a sua paciência e a sua resignação ante a vontade de Deus, ao mesmo tempo em que lhe permitem desenvolver os sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo, se ele não for dominado pelo egoísmo”. (LE 740)


Outra forma de destruição muito conhecida do homem é a guerra, que nos povos bárbaros era a demonstração do direito do mais forte, porém à medida que o homem vai progredindo, vai diminuindo a necessidade da guerra, pois o homem procura evitar as suas causas, mas se ela realmente surgir, o povo que estaria mais evoluído adicionaria mais humanidade à guerra, porque esta será necessária para que o povo alcance mais rapidamente a liberdade e o progresso.
Apesar de o assassinato ser um grande crime aos olhos de Deus, pois ao tirar a vida de uma pessoa, estará interrompendo uma vida de expiação, prova ou de missão, aqueles que os cometem na guerra, quando são forçados, não são tão culpados, porém serão responsáveis pelas crueldades que cometerem. A crueldade é o instinto de destruição no que ele tem de pior, pois ela jamais é necessária. Ela tem sempre como origem na natureza má da pessoa que a pratica.


Outra forma de assassinato conhecido e por muito tempo justificado por ser uma questão de honra é o duelo, vale lembrar que a morte num duelo pode ser considerada tanto um assassinato quanto um suicídio, pois o homem estará arriscando a sua vida pelo seu orgulho e pela sua vaidade. Há muito mais honra em se reconhecer culpado, quando erra e em perdoar, quando se tem razão.

Uma forma de assassinato, considerada legal por muito tempo é a pena de morte, já abolida em muitos países, pois o homem à medida que evolui compreende que existem outras formas de se preservar do perigo, e educar, sem matar.

Baseado no O Livro dos Espíritos de Allan Kardec.

sábado, 15 de março de 2008

O Filho do Orgulho

O melindre- filho do orgulho – propele a criatura a situar-se acima do bem de todos. É a vaidade que se contrapõe ao interesse geral.
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Assim, quando o espírita se melindra, julga-se mais importante que o Espiritismo e pretende-se melhor que a própria tarefa libertadora em que se consola e esclarece.

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O melindre gera a prevenção negativa, agravando problemas e acentuando dificuldades, ao invés de aboli-los. Essa alegria moral demonstra má vontade e transpira incoerência, estabelecendo moléstias obscuras nos tecidos sutis da alma.

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Evitemos tal sensibilidade de porcelana, que não tem razão de ser.
Basta ligeira observação para encontrá-la a cada passo:

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É o diretor que tem a sua proposição refugada e se sente desprestigiado, não mais comparecendo às assembléias.

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O médium advertido construtivamente pelo condutor da sessão, quanto à própria educação mediúnica, e que se ressente, fugindo às reuniões.

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O comentarista admoestado fraternalmente para abaixar o volume da voz e que se amua na inutilidade.

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O colaborador do jornal que vê o artigo recusado pela redação e que se supõe menosprezado, encerrando atividades na imprensa.

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A cooperadora da assistência social esquecida, na passagem de seu aniversário, e se mostra ferida, caindo na indiferença.

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O servidor do templo que foi, certa vez, preterido na composição da mesa orientadora da ação espiritual e se desgosta por sentir-se infantilmente injuriado.

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O doador de alguns donativos cujo nome foi omitido nas citações de agradecimento e surge magoado, esquivando-se à nova cooperação.

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O pai relembrado pela professora das aulas de moral cristã, com respeito ao comportamento do filho, e que por isso se suscetibiliza, cortando o comparecimento da criança.

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O jovem aconselhado pelo irmão amadurecido e que se descontenta, rebelando-se contra o aviso da experiência.

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A pessoa que se sente desatendida ao procurar o companheiro de cuja cooperação necessita, nos horários em que esse mesmo companheiro, por sua vez, necessita de trabalhar a fim de prover a própria subsistência.

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O amigo que não se viu satisfeito ante a conduta do colega, na instituição, e deserta, revoltado, englobando todos os demais em franca reprovação, incapaz de reconhecer que essa é a hora de auxílio mais amplo.

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O espírita que se nega ao concurso fraterno somente prejudica a si mesmo.
Devemos perdoar e esquecer se quisermos colaborar e servir.

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A rigor, sob as bênçãos da Doutrina Espírita, quem pode dizer que ajuda alguém? Somos sempre auxiliados.

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Ninguém vai a um templo doutrinário para dar, primeiramente. Todos nós aí comparecemos para receber, antes de mais nada, sejam quais forem as circunstâncias.

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Fujamos à condição de sensitivas humanas, convictos de que a honra reside na tranqüilidade da consciência, sustentada pelo dever cumprido.

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Com a humildade não há o melindre que piora aquele que o sente, sem melhorar a ninguém.
Cabe-nos ouvir a consciência e segui-la, recordando que a suscetibilidade de alguém sempre surgirá no caminho, alguém que precisa de nossas preces, conquanto curtas ou aparentemente desnecessárias.

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E para terminar, meu irmão, imagine se um dia Jesus se melindrasse com os nossos incessantes desacertos...

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Cairbar Schutel / Chico Xavier
(Do livro: O Espírito da Verdade)

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

Se procuras ensejo para realizar-te,
em matéria de paz e felicidade, age e serve sempre.

Emmanuel

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO (ESE)